sexta-feira, setembro 23, 2016

Africanidades: História Geral da África

ÁFRICA NAS ESCOLAS


O continente desconhecido deu origem e base a humanidade de sua diáspora a humanidade formou desde os primórdios e evoluiu.
Toda essa riqueza é invisível ao ocidente.
Um povo que não sabe sua raiz suas origens é um povo fantasma, desenraizado, sem alteridade e ciência de seu valor.
Essa coleção e seu derivados deve estar presente em todas a coleções do Brasil.
E merce destaque em nossas estantes.
Heberle Sales

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Durante 35 anos, a UNESCO reuniu mais de 350 especialistas em história do continente africano e produziu uma obra monumental, consolidada em oito volumes, chamada "História Geral da África".

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Quando fui Ministro da Educação, tomamos a iniciativa de traduzir toda a obra para a língua portuguesa. Em seguida, sintetizamos todos os volumes em dois livros, mais acessíveis para toda a comunidade acadêmica.
Agora, como Prefeito, transformamos aquele material riquíssimo em livro didático - o primeiro baseado naquela obra. Fico muito feliz em ver esse projeto concretizado. Ver um trabalho dessa envergadura fazer parte da formação básica dos estudantes da rede municipal.
Para quem tiver maior interesse, segue o link da obra completa: http://goo.gl/YYucGH



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O que você sabe sobre a África?


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Escolas municipais ganham material didático que propõe outra visão sobre a história e cultura do continente africano
Jussara Ferreira Paim, mestra em Psicologia da Educação e especialista em Psicopedagogia
A pergunta “O que você sabe sobre a África?” é o título de um novo material criado pela Prefeitura de São Paulo, que sintetiza em um único volume a coleção História Geral da África, da UNESCO, originalmente composta por oito publicações.
Jussara Ferreira Paim, mestra em Psicologia da Educação e especialista em Psicopedagogia, considera que essa iniciativa do governo Haddad é importante porque reconhece a necessidade de se reescrever o modo com a história da África é contada em âmbito escolar.
“Incorporar esse material aos livros didáticos significa resgatar a verdadeira história africana. As escolas agora têm agora a oportunidade de enriquecer as discussões diante de um repertório de iniciativa científica, que reconstrói um cenário verdadeiro e com todas as riquezas que o povo africano tem e pode compartilhar”, detalhou.
A obra que hoje é utilizada como base do material escolar foi traduzida para a língua portuguesa quando Fernando Haddad era ministro da Educação.
“Aprender no Ensino Fundamental e Médio que o continente africano era formado por nações organizadas socialmente e não somente um lugar onde se encontrava mão de obra escrava; aprender que os negros africanos de determinada região eram profundos conhecedores de técnicas de mineração e lidavam muito bem como metal e, por isso mesmo, eram preferidos pelos Europeus para mão de obra escrava; aprender sobre costumes e culturas do povo africano e não só sobre como eles eram transportados quando capturados; aprender que a ênfase dada até hoje a uma suposta supremacia branca e a uma suposta incapacidade negra não é só omissão da riqueza e da força do povo africano, mas também, e talvez principalmente, a legitimação de um racismo inculcado na história. Isso é fundamental e pode contribuir demasiadamente com a desconstrução do racismo desde as séries iniciais”, enfatizou Jussara.
Jussara ressalta ainda que a iniciativa cumpre a valiosa função de fortalecer a auto estima dos estudantes negros, considerando que fornecerá uma visão mais abrangente e realista sobre a história e a herança deixada pelos africanos no Brasil.
Haddad faz diferente porque tem coragem de enfrentar debates que precisam ser realizados em todos os segmentos da população. E não só em alguns.
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terça-feira, setembro 20, 2016

"Face aos governos, os direitos humanos"

Foucault




Tradução de: “Face aos governos, os direitos humanos”, Libération, n. 967, 30 junho- 1º julho, 1984, p. 22. (Republicado em Dits et Écrits, tome IV, texte n° 355).



Tradução de Murilo Duarte Costa Corrêa*


Michel Foucault lera este texto alguns minutos após tê-lo escrito, na ocasião da conferência de imprensa que anunciava, em Genebra, a criação do Comitê Internacional Contra a Pirataria, em junho de 1981. Em seguida, fizera questão de fazer reagir a esse texto o maior número de pessoas possível na esperança de chegar àquilo que poderia ter sido uma nova Declaração dos Direitos do Homem.

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"Não somos, aqui, outra coisa que homens privados que não podem falar senão a esse titulo, e a falar juntos, sobre uma certa dificuldade comum à suportar o que se passa.

Sei-o bem, e é preciso encaminhar-se na direção da evidência: em relação às razões que fazem com que homens e mulheres prefiram deixar seu país a ali viver, não se pode fazer grande coisa. O fato está fora de nosso alcance.

Quem então o cometera? Ninguém. E é precisamente isso que constitui nosso direito. Parece-me que é preciso ter presentes três princípios que, creio, guiam essa iniciativa, bem como outras que a precederam: : a Île-de-Lumière[1], o cap Anamour, o Avion pour le Salvador, e também Terre des hommesAmnesty International.

1) Existe uma cidadania internacional que implica seus direitos, seus deveres e que conduz a insurgir-se contra todos os abusos de poder, seja quem for seu autor – e quem quer que sejam suas vítimas. No fundo, nós somos todos governados e, a esse título, solidários.

2) Na medida em que pretendem ocupar-se da felicidade das sociedades, os governos se arrogam o direito de inventariar os ganhos e as perdas, a infelicidade dos homens, que suas decisões provocam ou que suas negligências permitem. Constitui um dever dessa cidadania internacional de sempre fazer valer aos olhos e ouvidos dos governos as infelicidades dos homens em relação às quais não é verdade que eles não são responsáveis. A infelicidade dos homens não deve jamais ser um resto mudo da política. Ela funda um direito absoluto de se insurgir e de interpelar aqueles que detêm o poder.

3) É preciso recusar a divisão de tarefas que, com frequência, propõe-se-nos: aos indivíduos, de se indignar e falar; aos governos, de refletir e de agir. É bem verdade: os bons governantes amam a santa indignação dos governados, desde que ela permaneça lírica.  Creio que é preciso dar-se conta de que frequentemente são os governos que falam – não podem e não querem senão falar. A experiência demonstra que se pode e se deve recusar o papel teatral da pura e simples indignação que se propõe a nós. 

Amnesty International,Terre des hommes,  Médicins du monde são iniciativas que criaram esse novo direito: este direito dos indivíduos privados de intervirem efetivamente na ordem das políticas e das estratégias internacionais. A vontade dos indivíduos deve inscrever-se em uma realidade cujo monopólio os governos quiseram reservar para si mesmos – esse monopólio que é preciso arrancar pouco a pouco e a cada dia."



 





[1] Do navio-hospital Île-de-Lumière, que socorria os boat people no mar da China em 1979, à defesa internacional de todos os prisioneiros políticos, M. Foucault evoca, nesse ponto, as iniciativas humanitárias das organizações não-governamentais que, a partir dos anos 1970, promoveram o novo direito de livre acesso às vítimas de todos os conflitos.

*O original ("Face aux gouvernements, les droits de l'homme"), em francês, encontra-se digitalizado aqui: http://1libertaire.free.fr/MFoucault162.html

segunda-feira, setembro 12, 2016

Letramento: Educação para uma visão de mundo conservadora


como sabem o espectro politico e social sempre nos coloca em lados opostos , em campos de luta e de conhecimento distintos, seriam complementares?
Uma visão de mundo monolítica e dogmática produz o pensamento livre e critico?
Coma oferta quase infinita de leitura e o tempo escaço se faz urgente ter critérios de leitura.
Nossa missão é disseminar  arte da leitura, agregar valor e ampliar o acesso a informação e ao conhecimento.
Nem sempre uma livro se abre ao leitor pois sua leitura envolve a capacidade de analise e compressão do mundo, em sintonia com isso a lei Ranganathan: todo livro tem seu leitor.
Esse desafio se coloca, um visão de mundo define o que você vai ler e compreender.
Hoje trago um auto polêmico considerando um farsante por muito um gênio incompreendido por seus discípulos.
Não estou brincado, em um conversa do super mercado encontrei um senhora que se declarou discípula de Olavo de Carvalho , ela professora universitária de musica, um pessoa culta me contou de sua paixão e de como foi liberta pelo mestre e seu conhecimento.

Com relação a leitura, ler é a capacidade de ler o mundo a vida segundo Paulo Freire.
Por isso, estou sempre atento a listas e analises do que é essencial de ser ler em um vida tão curta e com oferta infinta de entretenimento e conhecimento.
Hoje trago a visão de um conservador sobre esse tema.
Já publiquei sobre o tema sobre o livro: Mortimer Adler, como ler livros.

Heberle Sales Babetto
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Como ler o mundo e a vida?


A questão foi levantada em carta desesperada a Olavo de Carvalho, como ter uma educação e formação intelectual em um ambiente dominado por pensamento de esquerda?

Se você deseja se educar dentro desse contexto , educar seus filhos, fica a dica do O.C!!!

..." Fuja dos charlatães!!!...na visão de Olavo: ... charlatães caricatos como Noam Chomsky, Richard Dawkins, Edward Said, Jacques Derrida e Julia Kristeva, na mesma época  floresceram quase que simultaneamente o antidoto a isso acima seria Edmund Husserl, Karl Jaspers, Louis Lavelle, Alfred North Whitehead, Benedetto Croce, Jan Huizinga e Arnold Toynbee — e na literatura T. S. Eliot, W. B. Yeats, Ezra Pound, Thomas Mann, Franz Kafka, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer — já se tornou invisível, inalcançável à imaginação dos nossos
contemporâneos."   p572

Quais são os pensadores relevantes:


..."Pensadores de grande envergadura — um Eric Voegelin, um Bernard Lonergan, um Xavier Zubiri — sobreviveram à debacle dos anos 1960 e continuaram atuantes, o primeiro até 1985, o segundo até 1984, o terceiro até 1983. Mas seus ensinamentos são ainda a posse exclusiva de círculos seletos. Não entram na corrente geral das ideias, nem poderiam entrar sem sujar-se, sem transformar-se em matéria de discussões idiotas como vem acontecendo, graças à ascensão política de alguns de seus discípulos, como o infeliz Leo Strauss."... p574

Sobre a cultura brasileira:


..."Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos,
José Lins do Rego, Álvaro Lins, Augusto Mey er, Otto Maria Carpeaux, Mário
Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Herberto Sales, Cornélio Penna,
Gustavo Corção, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Heitor Villa-Lobos, Augusto
Frederico Schmidt, a lista não acaba mais.
Hoje, quem representa na mídia a
imagem da “cultura brasileira”? Paulo Coelho, Luis Fernando Verissimo,
Gilberto Gil, Arnaldo Jabor, Emir Sader, Frei Betto e Leonardo Boff. Perto
desses, Chomsky é Aristóteles. É o grau mais alto pelo qual se medem. Chamar
isso de crise, ou mesmo de decadência, é de um otimismo delirante. A cultura
brasileira tornou-se a caricatura de uma palhaçada. É uma coisa oca, besta,
disforme, doente, incalculavelmente irrisória.".... p574

Qual a estratégia contra a mediocridade geral:


...."A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos
solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de
início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais
tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade
acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito
aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto
para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do
calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem-feitas as contas, é até
luta desigual, é até covardia.
O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do
estudo acadêmico, dominar o trivium, aprender a escrever lendo e imitando os
clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão,
muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto
possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do
século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três
civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três
religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime
você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada
posso fazer por você..... Na verdade, o estudante brasileiro não lê nada, só resumo e orelha, além de Emir Sader e da dupla Betto & Boff, que não valem o resumo de uma orelha. É tudo farsa, chanchada, pose."....  p576

O que estudei e qual foi meu caminho intelectual:


..."Os filósofos que mais estudei para encontrar as respostas (e ficam aí como
sugestões para os interessados) foram Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São
Tomás, S. Boaventura, Duns Scot, Leibniz, Schelling, Husserl, Scheler, Lavelle,
Croce, Ortega, Zubiri, Marías, Voegelin, Lonergan, o nosso Mário Ferreira dos
Santos e o Albert Camus de L’Homme Révolté. Os grandes historiadores da
filosofia, como Gomperz, Ueberweg e Zeller, devem ser lidos com devoção.
Outros autores da área de ciências humanas que muito me ajudaram foram Ibn
Khaldun, Vico, Ranke, Taine, Huizinga, Weber, Böhm-Bawerk, von Mises,
Sorokin, Victor Frankl, Paul Diel, Eugen Rosenstock-Huessy, Franz Rosenzweig,
Lipot Szondi, Maurice Pradines, Alois Dempf, Max Dvorak, Rudolf Arnheim,
Erwin Panofsky, A.-D. Sertillanges, Mortimer J. Adler, Oliveira Martins, Gilberto
Frey re e Otto Maria Carpeaux. Apesar de inumeráveis erros de informação, a
Life of Napoleon de Walter Scott também foi de muito proveito pela acuidade da
sua psicologia histórica. O maior historiador vivo hoje em dia é Modris Eksteins
(sabe o que significa “tem de ler”?).
Dos poetas e ficcionistas, aqueles que
produziram verdadeiras descrições científicas da condição humana, muito úteis
nos meus estudos, foram Sófocles, Dante, Shakespeare, Camões, Cervantes,
Goethe, Dostoiévski, Alessandro Manzoni, Pío Baroja, T. S. Eliot, W. B. Yeats,
Antonio Machado, Thomas Mann, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann
Broch, Heimito von Doderer, Julien Green, Georges Bernanos e François
Mauriac."...

sobre a cultura tradicional, as grandes escolas de sapiência da humanidade:


..."A Bíblia tem de ser relida o tempo todo (não leia o Evangelho em busca de “religião”: leia como narrativa de alguma coisa que realmente aconteceu;
atenção especial para Mateus 11:1-6, onde o próprio Jesus ensina o critério para
você tirar as dúvidas a respeito d’Ele; penso nisso o tempo todo). O Corão, os
Vedas, o Tao-Te-King e o I-Ching, assim como os escritos de Confúcio, Shânkara
e Ibn ‘Arabi, merecem consultas periódicas. Dos conselhos pessoais que recebi
de mestres generosos, a quem incomodei por meio de cartas, telefonemas e
visitas, falarei outro dia.
O importante é não estudar por estudar, para “adquirir cultura” ou seguir
carreira universitária, mas para encontrar respostas a questões determinadas, que
tenham importância existencial para você, para sua formação de ser humano e
não só de estudioso. É claro que as questões vão se definindo aos poucos, no curso
das leituras mesmas, mas à medida que isso acontece elas vão definindo melhor
o rumo dos estudos. E é essencial que, na ânsia de ler, não deixe sua acumulação
de conhecimento ultrapassar o seu nível de autoconsciência, de maturidade, de
responsabilidade pessoal em todos os domínios da vida. Se não é capaz de tirar de
um livro consequências válidas para sua orientação moral no mundo, você não
está pronto para ler esse livro. Não esqueça nunca o conselho de Goethe: “O
talento se aprimora na solidão, o caráter na agitação do mundo.”... p581


Sobre o pensamento e as escolas atuais:


..."As universidades tornaram-se instrumentos do crime organizado, empenhados em tapar bocas, paralisar consciências, destruir talentos, perverter vocações, secar todas as fontes de uma restauração possível e, é claro, gastar dinheiro público. Custam caro e só servem para o mal. É preciso inventar o quanto antes novas formas de estruturação social da vida intelectual e torná-las economicamente viáveis. Só o empresariado pode tomar essa iniciativa. Só ele tem capacidade de organização e de aglutinação de recursos para isso. O sistema dos think tanks talvez funcione, se assimilado com a devida seriedade e adaptado eficazmente às condições brasileiras. Os modelos da Heritage Foundation, da Atlas Foundation, do Hudson Institute estão aí para ser estudados. Nos EUA eles tornaram-se centros irradiantes de energia positiva capaz de contrabalançar, e com frequência vencer, o ativismo imbecilizante dos comissários do povo universitários."...


Normas e princípios para a vida intelectual autêntica:


..."Enquanto isso, posso sugerir, aos candidatos a membros de uma hipotética
intelectualidade brasileira do futuro, algumas normas gerais que talvez os
ajudem, na escuridão ambiente, a encontrar o caminho.
A formação da inteligência se dá em dois planos simultâneos: o propriamente
intelectual, ou cognitivo, e o espiritual, ou inspiracional. O que você sabe depende
de quem quer ser; o modelo do que você pode ser depende do que sabe. A
ligação entre os dois planos é ignorada pelo ensino atual porque ele nem mesmo
entende que existe uma dimensão espiritual, embora às vezes fale dela, até
demais, confundindo-a com o simples culto religioso, com a moral ou com a
psicologia."...  p 583

..." No plano intelectual, o estudante deve esforçar-se para obter a mais alta
qualificação possível, adotando como modelos da sua autoeducação as práticas
melhores registradas historicamente: as da Academia platônica, do Liceu
aristotélico, da universidade europeia no século XIII (com seus ecos residuais na
filosofia cristã moderna, por exemplo La Vie Intellectuelle de A.-D. Sertillanges e
Conseils sur la Vie Intellectuelle de Jean Guitton), da intelectualidade superior
alemã no século XIX e austríaca no começo do século XX (tal como descrita,
por exemplo, nos depoimentos de Eric Voegelin, Otto Maria Carpeaux e
Marjorie Perloff) e, last not least, da tradição americana de liberal education.**
O objetivo primeiro da educação superior é negativo e dissolvente: consiste
em “desaculturar”, no sentido antropológico do termo: desfazer os laços que
prendem o estudante à sua cultura de origem, às noções consagradas do “nosso
tempo”, à ilusão corrente da superioridade do atual, e fazer dele um habitante de
todos os tempos, de todas as culturas e civilizações. Não se pode chegar a nada
sem um período de confusão e relativismo devido à ampliação ilimitada dos
horizontes. Não basta saber o que pensaram Abrahão e Moisés, Confúcio e Lao-
Tseu, Péricles e Sócrates, ou os monges da Era Patrística: é preciso um esforço
para perceber o que perceberam, imaginar o que imaginaram, sentir o que sentiram. Não se preocupe em arbitrar, julgar e concluir. Em todas as ideias que
resistiram ao tempo o bastante para chegar até nós há um fundo de verdade.
Apegue-se a esse fundo e faça sua coleção de verdades, não se impressionando
muito com as contradições aparentes ou reais. Aprenda a desejar e amar a
verdade como quer que se apresente. Acostume-se a conviver com as
contradições, já que você não terá tempo, nesta vida, para resolver senão um
número insignificante delas."...


Como ler os clássicos:


..."Quando ler os clássicos, use tudo, absolutamente tudo o que vier a
aprender com eles como instrumento analítico para a compreensão do presente,
incluída nisso a sua própria vida pessoal. Fora o conteúdo filosófico e sapiencial
mais geral, há tesouros de sociologia, de psicologia e de ciência política em
Confúcio, em Shânkara, em Platão, em Aristóteles, em Dante, em São Tomás,
em Shakespeare. Uma longa convivência com esses sábios lhe dará uma ideia do
que seja a verdadeira autoridade intelectual, da qual seus professores na
universidade são caricaturas grotescas. Não se deixe iludir por erros de detalhe
que a ciência moderna se gaba de ter “superado”. Quase sempre a superação é
ilusória e só serve para, logo adiante, ser superada por sua vez. Você lê nos
manuais, por exemplo, que Galileu “superou” a física de Aristóteles. Durante
quatro séculos essa bobagem foi repetida como verdade terminal. Só por volta de
1950 os estudiosos perceberam que a física de Aristóteles não era uma física,
mas uma metodologia científica geral, bem mais sutil do que Galileu poderia jamais ter percebido, e muito bem adequada às necessidades da ciência mais
recente. Os famosos erros assinalados por Galileu existiam, mas eram detalhes
secundários que não afetavam de maneira alguma o conjunto da proposta.
Qualquer que seja a questão em estudo, busque atender a três condições: 
(1) a abrangência máxima da informação básica, 
(2) o conhecimento do status quaestionis (já explico) 
(3) a variedade das perspectivas. "...   p 584 - 585

Seu pensamento tem como referencia esse livros:

Ver René Wormser, Foundations, Their Power and Influence, Nova York,
Devin-Adair, 1958.
Ver, além do clássico How to Read a Book de Mortimer J. Adler, The Trivium,
de Sister Miriam Joseph, Another Sort of Learning, de James V. Schall, e The
House of Intellect, de Jacques Barzun.
Leiam Megashif, de James Rutz.



Como podemos ver a escola sem partido é uma ficção, um conceito vazio e oco, e tem como testemunho o guru O.C.  Ler é deformar, segundo ele.
Uma educação baseada em roteiros de leitura crítica, é o defendido por todos, mas quando defendemos um pensamento unilateral e fechado temos o caminho para o dogmatismo ou o fascismo em todas as suas formas modernas e mutantes.

As ideias mudam o mundo , elas não neutras, e nem pacificas.
Idéias podem matar e cegar pelo seu brilho ou obscuridade.
Uma visão que defenda a dialética entre a tese, a antítese e uma síntese, nem sempre são possíveis dentro de sistemas de pensamento e visão de mundo a ideologia impede isso de forma natural e sistemática.
Nos tendemos a excluir toda visão de mundo oposta que desestabilize nossas crenças e nossa identidade terrena.
Um mundo onde se faz o controle de ideias e sua supressão foi descrito ou Ayan Rand, e Orson Welles, Phillip Dyck entrou outros autores.
Não tem como escapar em um Universidade em qualquer curso, voce vai ter um ementa e vai ter de escalar essa ementa até o fim do curso, o que não acontece na prática, como todos sabemos. Não lemos nem 15% dessa ementa.
Ela se desatualiza com grande velocidade e tem um grande volume de especialização o que nos impede de mergulhar na prática. A vida seria feita só de leitura. O que não é viável.

Hoje temos essa receita de bolo acima de como educar seu filho e se auto educar dentro do credo conservador.
Só lembrando, tudo tem um ônus e bônus.
Se eu comer somente um tipo de grama o que será pode acontecer...disse uma certa especie de elefante que foi extinto na Africa.
P.S. Note que Olavo não defende esse tipo de visão, ele recomenda que se leia  a bíblia do inferno, mas só depois de fundamentar e solidificar uma base de conhecimento conservador e tradicional como antidoto ao acido e visão revolucionária.
Você vai demorar um 15 anos para ler tudo que ele recomendou.
 

Confesso eu li sua coletânea do idiota perfeito, e fiquei muito tocado quando ao final me deparei com essa fala dele sobre educação e a leitura como arma cultural de preservação da especie.

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livros sobre ideias e letramento informacional com visão conservadora liberal e tradicional.

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Para que serve um filósofo hoje?


Slavoj Žižek é rápido no gatilho numa entrevista e dispara:
"Nada". Desligue-se então o gravador e paremos por aqui. 
Mas então vem a saraivada: "Pensam que os filósofos têm respostas para tudo. Eu não tenho. O que faço é propor indagações. Nosso problema não é buscar respostas verdadeiras, mas livrarmo-nos das falsas perguntas".

Segue abaixo algumas idéias suas sobre os mais abrangentes assuntos, principalmente aos abordados em seu último livro lançado no Brasil,
A Visão em Paralaxe (The Paralaxe View), Boitempo Editorial, R$ 74,00:

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Falando em paralaxe

As pessoas perguntam por que dei esse nome ao livro e a pista está no título da introdução: "O materialismo dialético bate à porta". Hoje nosso grande problema filosófico chama-se Hegel. Interpretações clássicas de seu pensamento já não funcionam, contudo preciso voltar a ele: a análise por paralaxe não enxerga a sociedade como um bloco unitário, mas como algo fraturado. Ela nos coloca diante do fato de que toda verdade é parcial. Sendo parcial, não podemos ser neutros. E, não sendo neutros, precisamos nos engajar. Volto a antigas questões do hegelianismo, avançando por outros campos de estudo, como o cognitivismo, ainda esnobado pelos psicanalistas.

Cérebro, cérebro...

Quando falo de cognitivismo, falo de estudos do cérebro e genética. Cientistas hoje podem conectar seu cérebro a um computador. A máquina não vai ler pensamento, mas já pode registrar ordens cerebrais básicas, como: senta!, levanta!, vire!. Investiga-se também a possibilidade de videogames mais simples serem acionados pelo cérebro. Isso mexe com nossa identidade, porque começaremos a nos sentir divinos. Até hoje admitimos que apenas um ser, Deus, pode pensar algo e fazer acontecer. Começa a não ser bem assim... Imagine quanto as ciências do cérebro poderão servir a projetos militares? Já pensou nisso? Pois bem, estudo o cognitivismo - e me baseio nos primeiros cognitivistas, não em best-sellers como (o filósofo americano)Daniel Dannett - para saber em que ponto exato esse campo científico vai precisar da psicanálise. Procuro o momento em que o efeito revela a causa.

Fukuyama e o fim de tudo

Muito intelectual diz que Francis Fukuyama (filósofo e economista) é um idiota por ter previsto o fim da história. E depois sai por aí se comportando como um fukuyamista, não entendo. No passado, quando éramos jovens e esquerdistas, procurávamos o socialismo com face humana. Hoje procuramos o capitalismo liberal de face humana: queremos bem-estar, trabalho, educação, saúde, previdência, sem questionar o edifício do capitalismo liberal. Então, por que atacar Fukuyama? Anunciar o fim das coisas é um comportamento que se repete na história, embora também seja uma idéia característica da pós-modernidade: Marx, no seu tempo, vislumbrou o fim do capitalismo. Há cem anos Lenin disse que o imperialismo dava o último suspiro. Mao, 50 anos atrás, previu a decomposição do capitalismo no prazo de uma década. E o capitalismo está aí. Com problemas, mas com capacidade de se reinventar. O grande enigma do sistema, hoje, é o que vai acontecer com a China. Até quando ela vai se manter dentro do modelo autoritário? Nietzsche dizia que quanto mais dinâmico for o capitalismo, mais ele necessitará de democracia. Então concluo que a democracia chinesa chegará em dez anos. Isso terá um impacto tremendo no mundo.

Fabricação de bolhas

Ah, não estou abalado com o tremor dos mercados. Eles que se ajeitem. O que me interessa é pensar noutra dimensão. A crise financeira atual talvez seja eco da crise de 2001, aquela da bolha da internet. Lá atrás assistimos à queda violenta das ações do setor digital. E o que fez o governo americano? Em vez de cuidar para que a economia voltasse a funcionar com equilíbrio, direcionou recursos para turbinar o setor imobiliário. Gestou outra bolha. Estamos recebendo mais uma dura lição de que a economia não pode ficar solta, ao sabor dos mercados. Mais do que nunca, a economia precisa da política. Veja no que se transformou Bill Gates no espaço de alguns anos. Virou o maior proprietário privado no domínio intelectual. Hackers me dizem que outros sistemas operacionais são bem melhores que o da Microsoft, mas Gates conseguiu impor seu modelo, garantiu a propriedade de algo que não foi feito por ele, mas por muitos, vende para o mundo todo e tornou-se o homem mais rico do planeta. Dominou o mercado global e até subjugou o governo americano, que tentou conter sua escalada. Casos assim precisam ser estudados.

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Chamem Freud, Lacan...

Só se fala em crise de confiança dos mercados e não há nada de estranho nisso. Ao mesmo tempo em que o capitalismo é materialista, é também profundamente idealista. Materialista no sentido de dinheiro, da competição, do lucro. E idealista no sentido de que as relações ainda se dão na base da confiança e credulidade. O problema é mais profundo: na sociedade liberal, você precisa seguir formas de polidez, convivência, regras do que fazer e do que não fazer, ou você é expelido. Não existe a liberdade 100% individual, de fazer o que quiser, como e quando quiser, mas a liberdade individual com substância social. O problema nos Estados Unidos é que se achou por bem tornar essas regras explícitas nos códigos do politicamente correto, quando há regras sociais que até precisam ficar implícitas. Só que os mercados nada têm de politicamente corretos. Essa crise de confiança precisaria ser analisada por gente da psicanálise. Economistas não darão conta.

Tolerância, o engodo

Quer outro paradoxo? Vivemos nessa grande sociedade livre, no mundo ocidental, mas nunca erguemos tantas barreiras como agora: destruímos o Muro de Berlim, entretanto erguemos outro para separar os palestinos, outro para impedir a entrada de mexicanos nos EUA, sem falar nos muros invisíveis que cercam imigrantes na Europa. Em termos ideológicos, a sociedade não está me pedindo nada e ainda me diz que eu posso tentar uma espiritualização ao estilo dalai-lama. Quer ver outra mistificação? O conceito de tolerância. Cai bem: seja tolerante com este ou aquele. Ridículo! Há uma brutalidade intrínseca no conceito de tolerância, que significa:Não se aproxime de mim, fique onde está e tudo bem.

Felicidade 'fat free'

Com o que você sonha? Produtos. Muitos. Eles garantem seu prazer, mas também liberam substâncias perigosas. Você vai ter que optar: sorvete com açúcar ou sem açúcar? Cerveja com álcool ou sem álcool? Chocolate com gordura ou sem gordura? São variações desse hedonismo castrado a que estamos submetidos. Você quer o prazer, mas vai pagar um preço por ele. Seguindo essa linha de raciocínio, penso que estamos na era da política descafeinada. Há uma enormidade de problemas sociais a enfrentar, mas daí convocamos nosso multiculturalismo liberal que parece tudo resolver.   Eu tolero o Outro, deste que seja um Outro descafeinado também, desprovido de tudo aquilo que possa me incomodar. Não é à toa que, tanto nos Estados Unidos quanto em países europeus, multiplicam-se os cutters, pessoas que se automutilam cortam a própria pele com facas e navalhas. Não é protesto, nem seita, mas a tentativa de restabelecer a conexão consigo mesmo. Não concordo em tudo com Giorgio Agamben (filósofo italiano), mas esse invisível social do qual queremos distância, e até negamos a existência, é uma tendência perigosa da globalização mundial.

Crise virtual, efeito real

Dinheiro para acumular, comprar, gozar. Agora, dinheiro para acalmar os mercados, talvez amanhã para nos livrar do fim do mundo. Certo, mas alguma coisa mudou nesse jogo. Um aspecto que precisamos considerar é a virtualização do dinheiro. Não que se tenha parado de imprimir cédulas, mas virou coisa virtual. Tente imaginar o que seriam, em termos espaciais, US$ 700 bilhões, a ajuda do Tesouro americano aos bancos. Impossível. Mas você acredita que esse dinheiro existe, não? Vivemos dias em que operações financeiras virtualizadas são disparadas para nos poupar de tragédias reais. O dinheiro vai sumir em seu aspecto físico. Vai perder força simbólica e, por isso mesmo, sistemas financeiros tenderão a ficar mais vulneráveis. Lembra do tal bug do milênio? Foi a primeira crise global da pós-modernidade. Disseram que os sistemas tecnológicos, todos, iriam desaparecer. Isso foi um fiasco, mas a crise existiu. Naquela passagem de ano eu estava em Nova York e fiquei ligado no ano-novo que rompia em países do outro lado do mundo. Ok, gente, parece que o ano virou bem na Austrália. Virou bem no Japão... Rudolph Giulianni, que era prefeito de lá, fez um comunicado à população dizendo que estava preparado para qualquer emergência. Depois foi se esconder num abrigo nuclear nas redondezas. Não é o máximo? Precisamos nos habituar a catástrofes em que o real não acontece, mas somos afetados.
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Falsas urgências

Interpretamos a realidade com categorias antigas - liberalismo, marxismo, niilismo, que hoje em dia se diz que está crescendo... Bobagem, nunca fomos tão dispostos a acreditar em alguma coisa. Minha recomendação é: na crise, volte-se para dentro. Volte às teorias. É tempo de pensar. Rejeito as urgências que nos impingem: Oh, meu Deus, tem gente passando fome, estão ameaçando a saúde do planeta, os bancos vão derreter, há um novo vírus.... Chega! É evidente que preciso me preocupar com a pobreza, mas deixe-me pensar sobre o que fazer. Não me imponham o discurso da caridade, que muitas vezes significa faça, mas não pense. É a situação que se criou agora: despejam bilhões em instituições financeiras, sem nem ao menos entender o problema.

Das coisas de Deus

Difícil ser ateu hoje, basta ver como as religiões mobilizam mais do que a política. Por isso eu, ateísta confesso, defendo o legado do cristianismo. A principal função de uma religião é dar sentido à experiência humana. Nesse sentido, é completamente original a idéia do Deus que morre, depois se transforma em Espírito Santo e sobrevive na comunidade dos fiéis. Aquela comunidade de cristãos dos tempos de Cristo foi o primeiro partido revolucionário de que se tem notícia. O poeta Paul Claudel, grande conservador francês, disse: "Deus nada pode sem nós". Isso me fascina, não à toa escrevi três livros sobre cristianismo. Ouviu falar em neuroteologia? É um campo de pesquisa em que, pela manipulação de neurônios, tenta-se despertar no cérebro sensações da experiência religiosa. Neuroteólogos acham que, dentro de anos, teremos a experiência mais transcendental de Deus. Vamos ver.

Darwinismo

Sou a favor. Mas do darwinismo autêntico, não dessas versões que circulam por aí. Autêntico como o de Stephen Jay Gould, que parte do princípio de que a natureza é o grande caos, então você pode vencer por ser mais forte, não por ser melhor. Até porque o meio pode mudar. E, mudando, aquilo que era a minha força, poderá se converter em fraqueza. Questiono esse falatório dos materialistas agressivos, muito na moda nos Estados Unidos, como Richard Dawkins, Daniel Dannett, Christopher Hitchens, Sam Harris. Porque ficou fashion matar Deus. Só que esse materialismo nem sequer reflete o que anda pensando a maioria dos americanos - infelizmente, a maioria continua enlouquecida, acreditando que Deus criou o mundo com hora marcada. Assim como tem a turma do materialismo radical e do criacionismo louco, tem a turma que surfa num orientalismo difuso. Então eu olho para o legado do cristianismo. Que, na sua origem, era ateu.
Que tempos...
Precisamos nos preparar para as panes virtuais que de fato nos afetam. A economia hoje precisa da política, que, por sua vez, mobiliza menos que a religião.


Quem é Slavoj Žižek:
Žižek nasceu em Liubliana, Eslovênia (na época parte da Iugoslávia). Estudou filosofia e sociologia na Universidade de Liubliana e psicanálise na Universidade de Paris VIII com Jacques-Alain Miller e François Regnault. Atualmente, é pesquisador sênior do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, professor do European Graduate School e diretor internacional do Instituto Birbeck de Humanidades, na Universidade de Londres. É conhecido por utilizar em seus estudos o trabalho do psicanalista francês Jacques Lacan para uma nova leitura da cultura popular. Entre seus temas de interesse estão a guerra do Iraque, fundamentalismo, capitalismo, tolerância, correção policial, globalização, subjetividade, direitos humanos, Lênin, mito, ciberespaço, pós-modernismo, multiculturalismo, pós-Marxismo, David Lynch e Alfred Hitchcock.

sábado, setembro 10, 2016

Marxismo e Direito

Título: Marxismo e direito
Subtítulo: um estudo sobre Pachukanis
Autor(a): Márcio Bilharinho Naves
Prefácio: Oswaldo Giacóia Jr.
Páginas: 184
Ano de publicação: 2000
ISBN: 85-85934-63-8

Em Marxismo e direito: um estudo sobre Pachukanis, Márcio Bilharinho Naves faz uma análise das questões levantadas pelo importante jurista soviético Evgeni Pachukanis (1891-1937). Em um texto claro e revelador, situa as idéias do jurista no interior do debate teórico e político no período que vai de 1920 ao final dos anos 1930, na União Soviética.
Pachukanis foi a grande expressão no campo do direito soviético. Nos anos 1920, já revelava o estreito vínculo entre a forma mercantil e a forma jurídica, afirmando a natureza irremediavelmente burguesa do direito. Bloqueando todas as vias de acesso ao reformismo jurídico, Pachukanis sustenta a impossibilidade teórica de um direito "socialista" e recupera, desse modo, toda a radicalidade da crítica empreendida por Marx em O capital.
Marxismo e direito: um estudo sobre Pachukanis apresenta um conteúdo de grande interesse para filósofos, sociólogos, juristas e economistas, bem como para todos os interessados num estudo sério e cientificamente qualificado da filosofia marxista do direito.
O trabalho de Márcio Bilharinho Naves é uma valiosa oportunidade de travar contato com um período de grande efervescência da história jurídica da União Soviética, ainda pouco conhecida do leitor brasileiro. Ademais, retornar a Pachukanis contribui para a tarefa de refletir sobre as possibilidades de resistência às formas de dominação impostas pelas instituições jurídicas.
Sobre o autor
Márcio Bilharinho Naves nasceu em Uberaba (MG) em 1952. Bacharel em direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, doutorou-se em filosofia na Universidade Estadual de Campinas. É autor do livro Marx - ciência e revolução (Moderna/Editora da Unicamp, 2000) e professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.

sexta-feira, setembro 09, 2016

O top tem do escritores do mundo

Os escritores mais bem pagos do mundo, segundo a Forbes


Paula Hawkins, a autora de A Garota do Trem, estreia na lista da Forbes Matt Dunham
Paula Hawkins, a autora de A Garota no Trem, estreia na lista da Forbes
Matt Dunham

James Patterson é o‘camisa amarela’ com lucros de 95 milhões de dólares. Mas a concorrência é forte, de nomes bem conhecidos na famosa lista anual da revista norte-americana

Publicado no Visão
Há de tudo neste pódio dos escritores milionários, bilionários e mais além: autores de thrillers, de literatura fantástica, de séries infantojuvenis, de ficção histórica ou de histórias mais ou menos cor de rosa. São nomes separados de um pelotão constituído por milhares de candidatos aos tops de vendas e às preferências dos leitores, que, por vezes, se revelam inconstantes. Suzanne Collins e Gillian Flynn que o digam: as autoras da famosa saga The Hunger Games/Os Jogos Vorazes e do best seller Gone Girl, respectivamente, ganharam ambas 13 milhões de dólares no ano passado. Depois, os seus lucros mergulharam a pique, dizem os entendidos nestas matérias de tops superlativos (ainda que os admiradores da talentosa Gillian Flynn se preocupem seguramente menos com o tilintar da caixa registradora e mais com a qualidade das suas histórias…)
James Patterson lidera o ranking pelo terceiro ano consecutivo
James Patterson lidera o ranking pelo terceiro ano consecutivo

As contas do ranking foram meticulosamente feitas: somaram-se os livros vendidos, sem esquecer os números obtidos pelo segmento dos e-book e dos audiolivros, acrescentaram-se os lucros originados por televisão e indústria cinematográfica, ouviram-se os autores, os agentes literários, as editoras e outros especialistas da indústria. Os valores obtidos, e agora divulgados pela Forbes, prestigiada revista norte-americana dedicada a temas econômicos, dizem respeito aos ganhos compreendidos entre junho de 2015 e junho de 2016 – antes de descontados os impostos, taxas e taxinhas. Mas o conjunto de catorze escritores contemplados perfazem o astronômico valor de 269 milhões de dólares.
James Patterson lidera a lista dos autores mais lucrativos pela terceira vez consecutiva. Pode dizer-se que trabalhou para o recorde: com a ajuda da sua equipe de co-autores, publicou cerca de doze livros novos durante estes doze meses. Uma presença forte na lista são os escritores que se dedicam igual ou exclusivamente ao público infantojuvenil: J.K. Rowling lucrou 19 milhões de dólares ainda com os dividendos de Harry Potter, tendo agora acrescentado mais um lançamento à saga com a publicação de The Cursed Child; Jeff Kinney vai a caminho do 11º volume de Diário de um Banana, série de sucesso em todos os mercados onde foi lançada; John Green que soma e segue com histórias para jovens adultos, como The Fault in our Stars/A Culpa é das Estrelas; Dan Brown está a ultimar uma versão simplificada, orientada para o público de leitores jovens, do best seller O Código da Vinci.
O Diário de um Banana valeu a Jeff Kinney a presença no ranking
O Diário de um Banana valeu a Jeff Kinney a presença no ranking

A autora mais jovem presente na lista da Forbes é Veronica Roth: a criadora da saga Divergente, que também já tem adaptações cinematográficas, nasceu ‘apenas’ em 1988. Uma veterana de anos recentes, E.L. James, continua a usufruir do sucesso de Cinquenta Tons de Cinza: a autora teve um aumento de vendas de 168% nestes últimos doze meses, devido ao lançamento da versão da história contada pelo personagem masculino.
A nova presença no ranking dos mais vendidos, com um sprint que deixaria qualquer ciclista de cabeça à roda, é Paula Hawkins, autora de The Girl on the Train /A Garota no Trem, um dos livros-fenômeno de 2015, também já adaptado ao cinema. E há nomes cativos neste ranking, que, ano após ano, mantêm posições de destaque: é o caso de Stephen King (que ao longo da sua carreira já somou 450 milhões de dólares), de Nora Roberts (que escreve cerca de cinco a seis livros por ano), de John Grisham (que, desde 1988, publica um livro por ano) ou Danielle Steel (com 129 romances publicados e 650 milhões de exemplares vendidos).

Veja a lista completa dos escritores contemplados na lista da Forbes:

1. James Patterson $95 milhões de dólares
2. Jeff Kinney $19.5 milhões
3. J.K. Rowling $19 milhões
4. John Grisham $18 milhões
5. Stephen King $15 milhões
5. Danielle Steel $15 milhões
5. Nora Roberts $15 milhões
8. E.L. James $14 milhões
9. Veronica Roth $10 milhões
9. John Green $10 milhões
9. Paula Hawkins $10 milhões
12. George R.R. Martin $9.5 milhões
12. Dan Brown $9.5 milhões
12. Rick Riordan $9.5 milhões