domingo, dezembro 13, 2015

Como ler (e compreender) um texto filosófico

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                  O texto à seguir possui caráter meramente introdutório
Kant, Descartes, Sócrates, Aristóteles, Hume, Voltaire, Maquiável – esses, dentre muitos outros, são autores renomados da filosofia e que todo o estudante da mesma, cedo ou tarde, terá de se deparar com alguma obra. E, tão logo isso aconteça, um problema nos salta aos olhos: como compreender o que esta escrito na referida obra?
Em primeira instância, parece uma questão trivial. Porém, basta olharmos, por exemplo, para um simples fragmento da obra A Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant, para compreendermos a essência do problema:
Ser não é, evidentemente, um predicado real, isto é, um conceito de algo que possa acrescentar-se ao conceito de uma coisa; é apenas a posição de uma coisa ou de certas determinações em si mesmas. No uso lógico é simplesmente a cópula de um juízo. A proposição ‘Deus é onipotente’ contém dois conceitos que têm os seus objetos: Deus e onipotência; a minúscula palavra ‘é’ não é um predicado mais, mas tão-somente o que põe o predicado em relação com o sujeito. Se tomar pois o sujeito (Deus) juntamente com todos os seus predicados (entre os quais se conta também a onipotência) e disser ‘Deus é’, ou existe um Deus, não acrescento um novo predicado ao conceito de Deus, mas apenas ponho o sujeito em si mesmo, com todos os seus predicados e, ao mesmo tempo, o objeto que corresponde ao meu conceito
O leitor não habituado com a natureza dos textos filosóficos, tendo contato com texto supracitado, perceberá as enormes dificuldades acerca da compreensão do mesmo. Donde, compreender-se-á que a leitura de tais textos – principalmente os mais antigos – requer um conhecimento prévio, requer um método – e portante, não é à toa que as universidades, no currículo do curso de filosofia, costumam inserir logo no seu início uma disciplina chamada Metodologia Filosófica ou Introdução aos Textos Filosóficos, dentre outras nomenclaturas.
Por conseguinte, aquele que se propõe a estudar, analisar, criticar, concordar ou discordar de algum texto, antes de mais nada, deve estar disposto à compreender este mesmo- , para tal se faz necessário entender o pretexto, i. é, a motivação do escritor que levou-o a escrever determinada coisa. E para isso, se faz necessário compreender o contexto, i. é, a localização sócio-histórico-politico-cultural do autor. Para compreender Aristóteles, se faz necessário saber como a sociedade grega estava organizada na época, que ele não era um ateniense, dentre outros fatores que o influenciaram nas suas ideias. Com isso, entender-se-á que o motivo que levou Aristóteles, em sua Ética à Nicômaco, a defender a escravidão, não foi o mesmo motivo que levou o empirista britânico John Locke à fazê-lo, assim como esclarecer-se-á a diferença de argumentação entre ambos, para sustentar o que é, aparentemente, a mesma afirmação. No entanto, mais importante do que compreender o que ambos, Locke e Aristóteles, sustentam, é não julga-los pelos atuais valores sociais que condicionam a nossa visão de mundo – nosso contexto, completamente distinto dos supracitados, encerra um círculo hermenêutico que não se pode ignorar, e olhar para estes ou para qualquer outro pensador com um olhar pejorativo seria uma atitude cega e impensada.



Compreendendo o contexto e posteriormente o pretexto (nesse ponto, surge a importância de ler um resumo biográfico dos autores), entender otexto propriamente torna-se uma tarefa bem menos árdua – ou seja, para compreender o trecho citado no inicio deste artigo, se faz necessário saber que Immanuel Kant viveu entre os séculos XVIII e XIX na cidade de Königsberg (antiga Prússia); que foi altamente inspirado pelo filósofo empirista David Hume; que o trecho pertence à uma obra sobre Epistemologia, na qual Kant tenta responder à pergunta das condições de possibilidade do conhecimento e que na seção aonde encontra-se o texto em questão, Kant dedica-se à refutar a ideia de uma prova ontológica da existência de Deus concebida por pensadores como Descartes e Santo Anselmo.
Portanto, estudar filosofia necessariamente pressupõe conhecer história – pelo menos no que tange ao(s) autor(es) abordado(s). Para tal, em outro momento, será dedicada uma abordagem aos grandes contextos pela qual a filosofia passou – desde os tempos pré-socráticos, até a era contemporânea.

Em relação à leitura do texto filosófico propriamente dita, seguiremos uma obra entitulada Metodologia Filosófica, escrita por Dominique Folscheid e Jean-Jacques Wunenburger. Sintetizando, a obra sugere uma decomposição do texto, procurando definir os seguintes itens:
  • Tema: i. é, sobre o que o autor esta falando no texto, do início ao fim;
  • Tese: a afirmação central do autor, ou seja, qual seu posicionamento a respeito do tema;
  • Problema: o conjunto do tema, da tese e da movimentação argumentativa do autor, suscita uma série de problemas que o autor tentará responder – o foco aqui é detectar qual(is) são este(s) problema(s);
  • Movimentação argumentativa: é o conjunto ordenado de argumentos da qual o autor se utiliza para sustentar sua tese. É uma movimentação essencialmente lógica, i. é, apresenta uma série de premissas, da qual se infere uma ou mais conclusões, e usando dessas conclusões como novas premissas, infere-se em outra conclusão, até atingir sua tese (importante ressaltar que cada autor tem sua forma de elaborar um determinado texto: alguns preferem anunciar sua tese logo no início e em seguida, apresentar seus argumentos; outros, em contrapartida, preferem deixar para apresentar sua tese central no fim do texto, assim como existem outros que apresentam sua tese no meio do texto);
  • Conceitos-chave: neste ponto, apresenta-se a importância de se ter um dicionário filosófico em mãos – pois existem certas palavras-chave na qual cada autor atribuí seu significado específico, mas nem sempre ele faz questão de explicar esse significado. Por conseguinte, anotar os termos centrais do texto para posterior consulta a um dicionário, é de vital importância para a compreensão do mesmo: por vezes, pensamos que um texto critica Xe discordamos dele por tal, enquanto na verdade ele crítica Y, posto que ele pode ter usado um termo que é normalmente associado à uma tal ideia para referir-se à uma outra ideia diferente da primeira.
A forma mais didática de se realizar este exercício é executá-lo na ordem contrária na qual os itens foram apresentados: primeiro, deve se anotar os conceitos-chave do texto; segundo, determinar quais são os argumentos do texto e em qual ordem aparece, tomando o cuidado para não confundir um argumento qualquer com a tese do autor; terceiro, analísa-se os argumentos para suscitar os problemas os quais o autor tenta responder; por último, levantando as respostas sugeridas pelo autor a esses problemas, procura-se estabelecer qual a sua afirmação central, i. é, afirmação na qual gira em sua volta todos os argumentos do autor – sua tese. Partindo desta, determina-se qual o tema do texto.
Utilizando-se desta metologia, vamos analisar o trecho da obra de Kant citada no início do texto:
  • Sua tese é apresentada logo na primeira linha do texto:
SER NÃO É, EVIDENTEMENTE, UMPREDICADO REAL, ISTO É, UM CONCEITO DE ALGO QUE POSSA ACRESCENTAR-SE AO CONCEITO DE UMA COISA
O que esta em negrito é sua afirmação, sendo que a expressão em destaque – predicado real – é considerada um conceito-chave de vital importância. A seguir, na parte sublinhada, Kant fornece uma lacônica e contundente explicação desse conceito, que será explicada posteriormente no próprio texto. Deste ponto, já é possível determinar o tema central do texto (ainda que este ficará mais clara nos argumentos posteriores): “O significado do juizo de existência, do ‘ser’, do ‘algo existe’“ – assim como já é possível imaginar a problemática que o texto tenta responder: Qual o significado do verbo ‘ser? ou Existe um significado particular para o verbo ‘ser’?
  • Continuando na mesma sentença, encontramos seus dois argumentos principais, que não deixam de ser uma parte crucial de sua tese:
É APENAS A POSIÇÃO DE UMA COISA OU DE CERTAS DETERMINAÇÕES EM SI MESMAS. NO USO LÓGICO É SIMPLESMENTE A CÓPULA DE UM JUÍZO.
Cada um dos argumentos foi destacada de uma forma – o primeiro em sublinhado, o segundo em negrito, e então se percebe que Kant esta oferecendo uma resposta à questão Qual o significado do verbo ‘ser’? – e temos ai o problema central do texto.
  • Posteriormente, Kant apela para o seguinte exemplo:
A PROPOSIÇÃO ‘DEUS É ONIPOTENTE’ CONTÉM DOIS CONCEITOS QUE TÊM OS SEUS OBJETOS: DEUS E ONIPOTÊNCIA; A MINÚSCULA PALAVRA ‘É’ NÃO É UM PREDICADO MAIS, MAS TÃO-SOMENTE O QUE PÕE O PREDICADO EM RELAÇÃO COM O SUJEITO.
Este trecho serve de sustentação para o segundo argumento (ser enquanto cópula de um juízo). Aqui, ele explicita a função semântica do verbo ser na frase ‘Deus éonipotente’ que aparece conjugado na 3ª pessoa do singular (é): este executa a mera função de conectar o sujeito Deus com o predicado onipotente; ao passo que onipotente é considerado um predicado real, ou seja, ele é acrescentado ao conceito Deus, e acaba por expandir seu significado. Aqui, Kant quer demonstrar que o verbo ser não possui a mesma função do adjetivo onipotente, i. é, o ser não expande o conceito de Deus e, portanto, não é um predicado real (tese).
  • E para sustentar seu primeiro argumento – o ‘ser’ sendo usado para evidenciar a posição do sujeito ou de suas determinações -, Kant diz:
SE TOMAR POIS O SUJEITO (DEUS) JUNTAMENTE COM TODOS OS SEUS PREDICADOS (ENTRE OS QUAIS SE CONTA TAMBÉM A ONIPOTÊNCIA) E DISSER ‘DEUS É’, OU EXISTE UM DEUS, NÃO ACRESCENTO UM NOVO PREDICADO AO CONCEITO DE DEUS, MAS APENAS PONHO O SUJEITO EM SI MESMO, COM TODOS OS SEUS PREDICADOS E, AO MESMO TEMPO, O OBJETO QUE CORRESPONDE AO MEU CONCEITO.
Neste trecho, Kant se dirige diretamente para os juízos de existência, por exemplo:“Deus existe”; “Deus é”, ou podemos alterar o exemplo para facilitar o entendimento: “O livro é azul, pequeno e existe.” Neste último exemplo, a frase atribuí dois predicados reais ao sujeito livro: azul e pequeno. O adjetivo existe (“é”) não pode ser considerado um predicado real (tese), pois este – em contrapartida aos conceitos azul e pequeno – não aumenta meu conceito de livro, mas sim, coloca o sujeito em questão (juntamente com todos os seus predicados reais) em evidência, relacionando esse sujeito com o objeto empírico que corresponde meu conceito de livro (claro, no texto, o exemplo utilizado é Deus e não livro).


Deste ponto, o trecho que era inicialmente de difícil compreensão torna-se legível até para os mais leigos no assunto, e a filosofia deve ser assim: clara, sucinta e metódica. Claro, Kant escrevia de tal maneira devido ao contexto sócio-histórico-político-cultural em que vivera, por isso seus textos – assim como o de muitos outros – tende a ser de dificílima compreensão. Contudo, com o método adequado, não existe texto impossível de ser compreendido (com exceção daqueles que escrevem na pura intenção de confundir os leitores – mas estes nem deveriam se encaixar na concepção de filosofia).

Bibliografias:
– FOLSCHEID, Dominique; WUNENBURGER, Jean-Jacques; Metodologia Filosófica, Martins Fontes, São Paulo, 2002.



terça-feira, dezembro 08, 2015

Biblioterapia

Frase pra pensar quando for desistir

Todo mundo já passou por um momento em que a ideia de desistir ficava martelando insistentemente na cabeça. Dúvidas fazem parte da história de praticamente qualquer pessoa, inclusive algumas das mais bem-sucedidas que conhecemos – e muitas delas têm um pouco a nos ensinar sobre isso.
São frases, pensamentos e algumas ideias quase soltas que nos ensinam porque nós devemos parar de reclamar e aprender a olhar pra frente.
1. “Se você não está disposto a arriscar, esteja disposto a uma vida comum.” – Jim Rohn
2. “Todos os seus sonhos podem se tornar realidade se você tiver coragem para persegui-los.” – Walt Disney
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3. “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente. Quem sobrevive é o mais disposto à mudança.” – Charles Darwin
4. “Um homem de sucesso é aquele que cria uma parede com os tijolos que jogaram nele.” – David Brinkley
5. “Há dois tipos de pessoa que vão te dizer que você não pode fazer a diferença neste mundo: as que têm medo de tentar e as que têm medo de que você se dê bem.” – Ray Goforth
6. “O ponto de partida de qualquer conquista é o desejo.” – Napoleon Hill
7. “Todo progresso acontece fora da zona de conforto.” – Michael John Bobak
8. “Daqui a vinte anos, você não terá arrependimento das coisas que fez, mas das que deixou de fazer. Por isso, veleje longe do seu porto seguro. Pegue os ventos. Explore. Sonhe. Descubra.” – Mark Twain
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9. “Nosso maior medo não deve ser o fracasso, mas ser bem-sucedidos em algo que não importa.” – Francis Chan
10. “Muitas das falhas da vida ocorrem quando não percebemos o quão próximos estávamos do sucesso na hora em que desistimos.” – Thomas Edison
11. “Coragem é a resistência ao medo, o domínio do medo – não a ausência do medo.” – Mark Twain
12. “Apenas deixe para amanhã o que você está disposto a morrer tendo deixado de fazer.” – Pablo Picasso
13. “Se você quer fazer uma mudança permanente, pare de se focar no tamanho de seus problemas e comece a focar no seu tamanho.” – T. Harv Eker
14. “Se você não tiver seu próprio plano de vida, é provável que caia no plano de alguma outra pessoa. E adivinha o que eles planejaram para você? Não muito.” – Jim Rohn
15. “A vida é uma viagem e se você se apaixona pela jornada, você estará apaixonado para sempre.” – Peter Hagerty
16. “Muito do estresse que as pessoas sentem não vem de ter muito o que fazer. Ele vem de não terminar o que foi começado.” – David Allen
17. “Se você procura sua realização nos outros, você nunca será realizado. Se sua felicidade depende de dinheiro, você nunca será feliz consigo mesmo. Se contente com o que você tem; fique feliz com a maneira como as coisas são. Quando você perceber que não está faltando nada, o mundo pertence a você.” – Lao Tzu
18. “A arte de viver está menos em eliminar nossos problemas do que em crescer com eles.” – Bernard M. Baruch
19. “A felicidade não é uma estação em que você chega, mas uma maneira de viajar.” – Margaret Lee Runbeck
20. “A verdadeira felicidade não é alcançada através da auto-gratificação, mas através da fidelidade a um propósito digno.” – Helen Keller
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21. “Todos nós recebemos relatórios de muitas maneiras diferentes, mas a verdadeira emoção do que você está fazendo está em fazê-lo. Não é o que você vai conseguir no final, é realmente em fazer, e amar o que você está fazendo.” – Ralph Lauren
22. “Faça algo que ame e você nunca mais precisará trabalhar na vida.” – Willie Hill
23. “A ansiedade é a vertigem da liberdade.” – Soren Kierkegaard
24. “Faça o que você sempre fez e você terá sempre o mesmo resultado.” – Sue Knight
25. “Nós evitamos as coisas das quais temos medo porque pensamos que haverão consequências desastrosas se as confrontarmos. Mas a verdadeira consequência desastrosa em nossas vidas vem de evitar coisas sobre as quais nós precisamos aprender ou descobrir.” – Shakti Gawain
26. “Muito melhor é arriscar coisas grandiosas para ganhar vitórias gloriosas – mesmo que estampadas pelo fracasso – do que se alinhar com aqueles espíritos pobres que nem aproveitam muito nem sofrem muito, porque vivem em uma penumbra cinzenta que não conhece nem a vitória nem a derrota.” – Theodore Roosevelt
27. “Eu não sei a chave para o sucesso, mas a chave para o fracasso é tentar agradar a todos.” – Bill Cosby
28. “O primeiro passo em direção ao sucesso é dado quando você se recusa a ser um prisioneiro do ambiente em que estava inicialmente.” – Mark Caine
29. “Sempre que você se encontrar ao lado da maioria, é tempo de fazer uma pausa e refletir.” – Mark Twain
30. “Se você ouve uma voz dentro de você dizer ‘você não pode pintar’, então pinte sem dúvida, e essa voz será silenciada.” – Vincent Van Gogh
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fonte nomade digital

segunda-feira, dezembro 07, 2015

26 estereótipos dos book lovers que são a mais pura verdade

[Top] 26 estereótipos dos book lovers que são a mais pura verdade
Ser um leitor não é fácil, se você está lendo este post sabe perfeitamente como é isto: ora as pessoas jugam você de cdf ou exibido por andar com livros para cima e para baixo, ora estão “usando” você quando precisam de alguma luz na vida delas – afinal de contas você é um leitor, logo deve ser inteligente, logo pode deixar o colega copiar o seu trabalho de literatura… NÃO!
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Contudo há estereótipos que são verdadeiros e muito louváveis: é normal que você perca mais tempo em uma livraria do que os outros mortais ou que você gaste metade do seu salário (ou mais!) com livros que ficaram na estante esperando o momento certo para serem lidos. Sim. Sim! Não importante o quanto fujamos (<—– este verbo está corretíssimo) somos clichês ambulantes, afinal de contas somos leitores e isto é bom.
Veja abaixo algum destes clichês que você se orgulha em possuir:

1. Não sair de casa sem um livro da bolsa.

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2. Você é conhecido por estar em restaurantes, bares ou no cinema com um livro a tira-colo.

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3. Estar em movimento é uma fonte de estresse, pois você não conseguirá desfrutar dos seu livro raro…

4. … isto se dá porque você não consegue se desapegar de suas edições raras, o que lhe dá os status além de Book Lovers também de colecionador(a).

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5. Você preferiria comprar um outro livro para uma pessoa a emprestar o seu…

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6. …pois você sabe que não existe nada pior para um Book Lover do que um livro com páginas dobradas, orelhas… isto é, se você ver seu livro novamente.

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7. Você pode ser agressivo quando argumenta em prol do seu livro favorito.

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8. O natal é apenas uma desculpa para você dar de presente livros clássicos ou raros para seus amigos e familiares, mesmo vendo a cara de decepção deles ao receber um Guerra e Paz no lugar de um gadgets moderno.

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9. Algumas pessoas tem times favoritos, você tem traduções favoritas.

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10. Se seu autor favorito escrevia cartas você as coleciona.

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11. Biografias e wikipédia são seus tablóides de celebridades…

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12.  … já que uma parte de você está interessado(a) em saber como ele alcançou o sucesso. Isto tudo por que lá no fundo você ainda almeja escrever o próximo bestseller.

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13. Assistir a uma adaptação ruim de seu livro favorito pode destruir o seu dia.

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14. Encontrar um erro de digitação em um livro é como se alguém fizesse um barulho irritante que lhe causasse calafrios.

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15. Que cheiro de comida que nada. O seu cheiro favorito é o livro.

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16. Você possui opiniões inabaláveis sobre os eReaders.

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17. Você fica horrorizado quando compra livros de bolso (As terríveis traduções!) Mas isto não o impede de comprar outro.

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18. Morar próximo de uma livraria ou biblioteca é um grande investimento imobiliário.

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19. Alguns dos seus momentos mais felizes era quando você estava lendo com seus pais.

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20. Algumas pessoas resgatam animais abandonados, você resgata livros. Se encontrar um clássico jogado no meio da rua ou abandonado durante uma mudança você diz: “Podemos ficar com ele? Podemos, podemos?”

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21. Você já fantasiou que encontraria seu grande amor em uma livraria.

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22. Você fica chocado, confuso e desapontado, quando sua história de vida não segue um arco narrativo lógico: “não era para ter acontecido desta maneira”, você pensa quando aquela pessoa especial desmarca aquele encontro tão aguardado. Ai você volta a ler seu livro favorito, pela 8ª vez.

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23. Quando alguém lhe pergunta: “O que você faz para se divertir?”, e você fica surpreso por as pessoas não considerarem leitura uma diversão.

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24. Você considera áudio-livros a perfeita trilha sonora de uma viagem.

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25. Você tira um dia de folga quando o livro mais recente de sua série favorita saiu.

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26. … e sua farra da sexta-feira é um bom vinho, uma cadeira confortável e um bom livro.

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E você, Book Lover? Se identificou com qual estereótipo?
Via Huff Post

Livraria de um livro só

Imagine uma sala comercial vazia. Bom, quase vazia. No centro do local de paredes brancas, um pedestal de madeira apoia um único livro. Ao fundo, um homem lê essa mesma obra sentado atrás de um balcão feito com antigas gavetas de arquivo, também de madeira. Você chamaria esse local de livraria? O livreiro japonês Yoshiyuki Morioka chama.





Com o nome de Morioka Shoten (Livraria do Morioka, em tradução livre), a loja é uma aplicação extrema do conceito de minimalismo ao mundo das vendas. Todas as semanas, Morioka seleciona uma única obra e a expõe em sua loja. Os compradores que não confundirem a sala vazia com uma instalação artística podem entrar no local, folhear o livro, tirar dúvidas com o vendedor e decidir se querem ler aquela história ou não. Ao contrário do que ocorre em grandes livrarias, a escolha não é entre os últimos cinquenta lançamentos. É um “sim” ou “não” para aquele livro. Só ele. Na semana seguinte, a obra muda, e a escolha pode ser feita novamente.


A notícia da livraria de Morioka correu o mundo. Basta uma simples pesquisa com o nome da loja para encontrar artigos de todas as línguas sobre a genialidade da ideia. Vale chamar a atenção, porém, para o fato de que nenhuma das centenas de matérias revela um único título selecionado pelo livreiro. Quem quiser se submeter à curadoria do vendedor, deve encontrar um caminho que lhe leve a Tóquio.

Ler sobre o negócio do japonês é se ver hipnotizado pela possibilidade de ser libertado do peso da escolha. E como poderia ser diferente? Cada um dos nossos dias são feitos de escolhas que ficam cada vez mais complexas a medida que as possibilidades se multiplicam. Afinal, quantas opções de molho de tomate realmente precisamos? Qual é o número de notícias que conseguimos ler em um único dia antes de pararmos de nos importar com o sofrimento do mundo? Quantas vezes precisamos escutar sobre a violência antes de agir?

Basta refletir por alguns minutos, porém, para perceber que, para todas as perguntas, a resposta é numérica e é maior do que um.

Estamos no meio de um furacão de informação e é compreensível que nossos sentidos estejam sobrecarregados. Tanto tempo atrás, quando a notícia ainda vinha exclusivamente escrita no jornal, Caetano Veloso já questionava: “quem lê tanta notícia?”. Imagine, então, agora. O volume de informação faz adormecer os sentidos, nos deixando insensíveis. Apesar disso, é preciso não cair na tentação do livreiro japonês e se fechar em uma sala vazia, onde vemos somente aquilo que queremos. Ou pior, é preciso não cair na tentação de entrar na sala dos outros, onde vemos somente aquilo que eles querem. Melhor juntar coragem e encarar o furacão.

Flavia Denise o tempo

Mercado Editorial - O triste fim da Cosac Naify

 Na última semana nos deparamos com uma triste notícia do meio cultural. Charles Cosac, fundador da editora Cosac Naify, que há quase 20 anos publica livros clássicos, acadêmicos e de arte, anunciou sua decisão de fechar as portas. A declaração, feita ao “Estado de S. Paulo” antes mesmo de um aviso aos executivos da empresa e aos seus funcionários, veio se somar a uma série de más notícias dos últimos anos no setor cultural. No âmbito nacional, vimos fechar a revista “Bravo!”. Já Belo Horizonte vive às voltas com uma série de fechamentos de salas de teatro, como o Klauss Vianna, e o colapso das leis de incentivo, que ameaçam iniciativas como o festival de cinema Indie. Agora, o anúncio do fim da Cosac Naify causou uma comoção impressionante nas redes sociais, com gente de todas as áreas deixando manifestações de tristeza, revolta e decepção com o fechamento do que entendem ser um exemplo de empresa cultural.

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A reação não só é compreensível, como adequada. Em um mercado fechado e que parece se esquivar de qualquer novidade, a editora conseguiu emplacar, apesar dos preços salgados, obras que unem conteúdo textual e primor visual com uma atenção aos detalhes sem igual. Seus produtos rapidamente se tornaram objetos de desejo, e não faltam profissionais que choram não só o fim de suas publicações, mas também a extinção da possibilidade de um dia trabalhar em um local que dá tanto valor à criatividade.

Eu também lamentei a notícia. Mais uma editora dedicada ao fim da mesmice cultural acaba. Apesar disso, me vejo obrigada a questionar se esse confuso fim da Cosac Naify é digno da tristeza que vi brotar na última semana. Afinal de contas, não foram somente declarações de amor que pipocaram na internet. O luto coletivo pelo fim da empresa gerou grupos de protesto e petição online para tentar reverter a situação. Iniciativas ignoradas pelo dono da empresa, que deixou claro que a fecha não porque está falindo, mas porque não criou “a editora para recauchutar obras em domínio público”. “Quero que ela termine como começou, não gostaria que ela entrasse em decadência”, disse ao jornal.

De certa forma, a frase de Charles Cosac resume um dos grandes motivos pelo qual vemos o fim de tantas empreitadas culturais: há uma crença de que a realização de um sonho dispensa um modelo de negócios sustentável. O sonho de Cosac era criar uma editora que publicasse obras intelectuais de qualidade superior, com texto primoroso e acabamento requintado. Mas não basta ter uma boa ideia e um coração corajoso o bastante para concretizá-la. Para que a empreitada dê certo, é preciso que ela seja, em algum momento, financeiramente sustentável. E é impossível fazer isso sem tocar o público. Enquanto Cosac se debruçava em “produzir monografias para divulgar a produção contemporânea brasileira”, o que os leitores queriam mesmo era uma tradução bem-feita de “Moby Dick” com uma capa linda. Em resumo, ele se esqueceu de que toda empresa, mesmo aquelas que representam a expressão artística mais pura, ainda é um negócio, e tem que sobreviver como tal.

Trabalhar com música, literatura, artes plásticas, dança, teatro e tantas outras expressões é a realização de um sonho para muita gente. Mas, se queremos que a nossa cultura se fortaleça e seja capaz de resistir bravamente às piores crises (e outras virão, não tenha dúvidas), é preciso começar a aceitar que fazer cultura não é só viver o sofrimento e a catarse da criação artística. É, também, praticar as menos desejadas artes da contabilidade, da pesquisa de mercado e da estratégia de vendas. Sem isso, não há sonho que resista à implacável conta no fim do mês.

Flávia Denise o tempo

Acesso a informação sua infraestrutura - conjuntura

Falta computador em plena zona franca

São Paulo.
 Um simples computador pode explicar um pouco a controvérsia dos benefícios fiscais. O universitário Rodrigo Antônio da Silva, 21, estudante do curso de matemática da Universidade Federal Amazonas, não tem computador. Faz todos os trabalhos em lan houses, que praticamente desapareceram do mercado.
FOTO: ROBERVALDO ROCHA / CMM/ARQUIVO
CMM
Manaus tem várias fábricas, mas população não tem computador
Mas há uma lan house em cada esquina no bairro onde Silva mora. Elas também proliferaram no Centro Comercial de Manaus, conhecido pela grande oferta de eletroeletrônico. Computador é artigo de luxo lá. Cerca de 77% dos lares da Região Norte não têm computador, e 71% das famílias alegam que o problema é o preço alto. Em tese, não deveria ser assim.

A capital do Amazonas abriga a Zona Franca, onde são fabricados com benefícios fiscais, entre outros produtos, computadores. A Zona Franca fica com quase 10% do total de benefícios concedidos no país – R$ 28 bilhões.

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