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terça-feira, dezembro 15, 2015

Número de cidades com biblioteca cresce e com livrarias diminui

De acordo com o levantamento, em 2014, 15% dos municípios informaram ter pontos de leitura e 25%, bancas de jornais



Biblioteca
De 1999 a 2014, o número de cidades com livrarias caiu de 35,5% para 27,4%

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que subiu de 76,3% para 97,1% a proporção de cidades com biblioteca pública, de 1999 a 2014. Por outro lado, no mesmo período, caiu de 35,5% para 27,4% o número de cidades com livrarias. Os dados constam no Suplemento de Cultura do Perfil dos Estados e Municípios Brasileiros 2014 (Estadic/Munic 2014), divulgado nesta segunda-feira (14).
De acordo com o levantamento, em 2014, 15% dos municípios informaram ter pontos de leitura e 25%, bancas de jornais. 
Em relação a cinemas e shoppings, estão presentes em 10,4% e 6,7% dos municípios, respectivamente. Esses dados foram coletados apenas no ano passado.
A pesquisa indica ainda que, no ano passado, 24 dos 27 estados e 6% dos 5.570 municípios apoiaram a produção de 1.849 filmes, tendo como destaques os estados do Rio Grande do Sul (60 filmes), Pernambuco (54 filmes) e São Paulo (42 filmes).
TV aberta e internet
Conforme a pesquisa, o sinal aberto de TV continua sendo “o maior meio de acesso aos conteúdos culturais”, ao estar presente em 99% dos municípios, em 2014. No mesmo ano, apenas 12,1% dos municípios tinham produção local de programas de TV. O IBGE constatou alta no acesso à internet por meio de provedores (presentes em 65,5% dos municípios) e lan houses (82,4% dos municípios). No sentido oposto, houve uma retração na presença de videolocadoras no país, passando de 82% municípios (2006) para 53,7% municípios em 2014; e também das lojas de discos, CDs, fitas e DVDs (de 59,8% para 40,4% dos municípios, no mesmo período).
“Os dados melhoraram como fruto de uma política pública adotada pelo governo em 2003, mas ainda são incipientes e atestam a gravidade da situação do acesso à cultura no Brasil. Menos de 10% dos brasileiros entraram alguma vez em um museu, pouco mais 13% vão ao cinema com alguma regularidade e a média per capita de leitura do brasileiro ainda é de apenas 1,7 livro”, disse o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que acompanhou a divulgação da pesquisa.
O ministro destacou que quando comparado com outros países da América do Sul - como a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, o nível cultural brasileiro é menor. “Mesmo quando comparado com outros países sul- americanos, sempre fomos muito desleixados do ponto de vista cultural com a população. E é por isso que, desde 2003, estamos desenvolvendo políticas voltadas para colocar a cultura como um direito básico da população, como é a comida, a habitação e a saúde. Agora, há que se ressaltar que a gente trabalha com poucos recursos. E qualquer política pública implica necessariamente na liberação de mais recurso para o setor”, disse.

segunda-feira, novembro 16, 2015

No Japão, uma biblioteca busca restaurar o que foi perdido no tsunami

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A cidade de Rikuzentaka no leste do Japão foi devastada pelo terremoto e tsunami que assolaram a região no dia 11 de março de 2011. Entre as vítimas do desastre natural estavam os sete funcionários da Biblioteca Pública de Rikuzentaka — juntamente com 80.000 livros que estavam sob os seus cuidados.
Logo após o desastre, o cuidado com os mortos e feridos era prioridade, obviamente. Mas nos anos subsequentes, começaram os esforços no sentido de restaurar a amada biblioteca da cidade.
A Biblioteca Metropolitana Chuo de Tóquio (Minato), a única biblioteca pública do país com um departamento dedicado à restauração de livros, vem trabalhando na restauração de materiais do acervo local da Biblioteca Pública de Rikuzentaka desde 2013. Cinquenta e um itens restaurados serão devolvidos à cidade no dia 20 de março.
Até lá, ficarão expostos como parte de uma exposição na Biblioteca Metropolitana Chuo de Tóquio chamada de “Tesouros Locais Renascem Após o Grande Tsunami: a Restauração de Materiais do Acervo Local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata”. Quem visita a exposição, aberta até o dia 11 de março, pode ver o andamento da restauração, além de alguns dos livros que estão sendo restaurados.
A exposição exibe fotos que registram o ano após o tsunami. A exposição de fotos contém imagens do resgate de materiais do acervo local encontrado em uma pilha de livros da biblioteca que foram resgatados de uma garagem onde haviam sido jogados. As fotos também mostram a sujeira e lama do tsunami antes de serem removidas. Há também uma série de painéis que explicam o processo de restauração usado pela Biblioteca Metropolitana. A exposição inclui as ferramentas atuais usadas e os próprios livros restaurados.
Materiais restaurados do acervo local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata. (Foto: HuffPost Japan)
Materiais restaurados do acervo local da Biblioteca Pública de Rikuzentakata. (Foto: HuffPost Japan)
As técnicas de restauração usadas pela Biblioteca Metropolitana de Chuo foram passadas pelo seu antecessor, a Biblioteca Pública Hibiya de Tóquio, inaugurada em1908 (ano 41 da Era Meiji). No entanto, essa foi a primeira vez que os funcionários receberam uma tarefa de restauração de livros saturados de sal e pó de um tsunami. Usando um processo de tentativas e erros, eles agora estão trabalhando numa segunda remessa de materiais da Biblioteca de Rikuzentakata.

A lenta digitalização das bibliotecas brasileiras


Por Rafael Bravo Bucco, na ARede
LIVROS, MANUSCRITOS, partituras, gravuras, periódicos, gibis… assim como no mundo concreto, as bibliotecas digitais oferecem ao público diversos tipos de conteúdos. Mas há uma enorme diferença do lado de cá, entre nós, leitores. Em vez de sentar a uma mesa para folhear um volume ou levar para casa e devolver uma semana depois, no ambiente virtual podemos ler tudo o que desejarmos e baixar tudo o que pudermos armazenar em nossos notebooks, tablets, e-readers ou smartphones, para consultar quando e onde bem entendermos. E esse acesso amplo começa a ir além do universo das obras de domínio público ou sob licenças livres. As bibliotecas digitais mais avançadas estão entrando na lógica das instituições físicas, ou seja, estão “emprestando” qualquer título de seus acervos, mesmo os que têm copyright.
Nos Estados Unidos, onde cada estado definiu a própria política de acesso a acervos de livros digitais (os e-books, produzidos para leitura eletrônica) e digitalizados (exemplares físicos escaneados), esse modelo já funciona. Em Nova York, por exemplo, o residente que tiver uma carteirinha da biblioteca estadual pode “retirar” livros virtualmente, baixando arquivos do site. E o procedimento vale para qualquer empréstimo: de autores sob domínio público (como Edgar Allan Poe) a best-sellers contemporâneos (como J. K. Rowling). Parece ser consenso por lá que, se a biblioteca adquiriu um exemplar físico ou eletrônico do livro, tem o direito de emprestá-lo a uma pessoa por vez. De sua parte, o usuário se compromete a não copiar ou reproduzir o material e a “devolvê-lo” após certo período – ou seja, após o tempo determinado, a liberação ao conteúdo expira.
Aqui no país do futebol e do Um Computador por Aluno (UCA), o conceito mais amplo de biblioteca digital ainda é um sonho. Não há políticas públicas nesse sentido, e as iniciativas que existem são isoladas, com foco na digitalização de materiais. Uma das instituições à qual caberia capitanear ações de inclusão sociodigital, o Ministério da Educação atua timidamente: criou o site Domínio Público, que tem apenas clássicos, a maior parte com textos originais, escritos no português da época em que foram concebidos. O Fundo Nacional pelo Desenvolvimento da Educação não prevê nenhuma verba para incentivar a digitalização ou a distribuição de livros eletrônicos por bibliotecas regionais.
O Ministério da Cultura (MinC) tem uma proposta, ainda embrionária. O foco é a digitalização dos acervos existentes, e não a criação de bibliotecas digitais com variedade de títulos, de livros antigos a atuais. Por ser o passo inicial, a intenção, no momento, é estabelecer um padrão para os arquivos em formato digital. “O que tem acontecido é uma fragmentação das iniciativas de digitalização, com diversas instituições trabalhando por conta própria em seus acervos. Cada biblioteca, cada museu, tem sua lógica. Nossa intenção é chegar a um denominador comum para criar um ecossistema que atenda a todos, mas isso depende de um arranjo entre os envolvidos”, argumenta José Murilo Junior, coordenador de Cultura Digital do MinC.
Embora sem definir prazo, o ministério informa que pretende desenvolver uma rede para interligar bibliotecas, museus e outros repositórios públicos. Essa rede facilitaria o acesso a livros, fotografias, áudios e vídeos dos acervos. As instituições participantes teriam de seguir uma padronização para inserir os metadados nos documentos digitais, de modo a facilitar a indexação e a rastreabilidade dos arquivos por motores de busca. “Estamos conversando com os responsáveis pela Europeana [a principal biblioteca digital do velho continente e que reúne materiais de diversos países da União Europeia] para entender como chegar a uma arquitetura institucional e de software que facilite a integração entre muitos agentes”, diz Murilo. O tempo é curto, ele reconhece. Os acervos nacionais em domínio público precisam ser completamente digitalizados até 2020, como estabelecido nas metas do Plano Nacional de Cultura.
O que existe
A Biblioteca Nacional é o maior exemplo de esforço pela digitalização da cultura brasileira. Em 2006 inaugurou a Biblioteca Nacional Digital (BND), ambiente online onde é possível acessar e baixar o conteúdo digitalizado. Apenas obras presentes fisicamente no acervo da biblioteca estão no site. Além dos livros, há fotografias, partituras, mapas, manuscritos, gravuras e aquarelas. Mas só isso não basta para criar um modelo de biblioteca compatível com o que a tecnologia permite fazer hoje. Por isso, segundo o presidente da instituição, Galeno Amorim, está em andamento um projeto para criar uma página no site que oferecerá livros clássicos da literatura brasileira nos formatos digitais mais comuns, como PDF e HTML.
Enquanto a novidade não é lançada, a BND vem sendo procurada pelo acervo de raridades. Com 400 mil acessos e mais de 1 milhão de pesquisas mensais, ainda não tem quase nada de seus arquivos disponíveis na internet. “Acho que temos apenas 1% do acervo digitalizado”, comenta Angela Bettencourt, coordenadora de informação bibliográfica da instituição e responsável pela digitalização. Em julho, a BND abriu uma nova “ala” de seus corredores virtuais. Lançou a Hemeroteca Digital, com 5 milhões de páginas de jornais brasileiros publicados entre os séculos 19 e 20. A intenção é completar a digitalização até março de 2013, colocando no ar outras 5 milhões de páginas.
Apesar de recente, a hemeroteca já se tornou campeã de visitas pelos usuários do site. Além disso, tem sido vista como o início de uma mudança drástica na organização digital da biblioteca. Isso porque foi construída com o software livre DSpace, que permite a fácil organização e indexação de acervos. Diante do resultado positivo, decidiu-se pela reformulação de toda a BND, inicialmente concebida com programas proprietários. A nova arquitetura também usará o DSpace, com recursos avançados de navegação – como a possibilidade de criar uma conta de usuário, fazer marcações ou comentários sobre as obras e ter integração com as redes sociais.
A Brasiliana USP surgiu em 2009 com a intenção de digitalizar o acervo de obras raras. O objetivo era preservar os exemplares, reduzindo o manuseio. Hoje, soma 1,7 mil acessos por dia de usuários de Brasil, EUA e Portugal. Os arquivos estão em formato PDF. O professor Pedro Puntoni, coordenador da biblioteca, explica por quê: “Queríamos reproduzir exatamente a imagem do original. Trabalhamos apenas com as primeiras edições de livros clássicos, originais de obras raras. Por isso adotamos um formato que reproduz a imagem da página do livro”.
Segundo o professor, a intenção é preservar também o conceito de livro como objeto: “Queremos que as pessoas vejam a diagramação e o design das obras”. Para criar a Brasiliana, a USP desenvolveu a plataforma Corisco, um conjunto de softwares baseado no DSpace. O sistema recebeu camadas de customização para evitar que os navegadores precisassem de plugins ao visualizar as obras.
Devido à lei de direitos autorais, as bibliotecas digitais não têm ebooksatuais. Um esforço para oferecer conteúdo recente, no entanto, pode ser visto no projeto Scielo – onde a solução foi apostar em licenças livres. Especializado na divulgação de periódicos científicos, o Scielo foi criado em 1997 como um ambiente virtual para publicação da ciência produzida no Brasil. A iniciativa resultou de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).
Com 373 mil artigos, tem uma equipe de 40 pessoas encarregadas de validar, segundo critérios técnicos, o conteúdo enviado para publicação, o que garante credibilidade não apenas aos textos publicados, mas ao repositório. “O sistema ainda permite fazer a marcação do texto e fazer uma citação com link para outro artigo”, comenta o fundador Rogério Meneghini.
Desde 2003, a rede se expande em um modelo de franquia segundo o qual países interessados financiam a criação de Scielos locais. Hoje existem dez repositórios distribuídos por Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Portugal e Venezuela. Mais cinco estão em construção: África do Sul, Bolívia, Paraguai, Peru e Uruguai. Outra frente de crescimento foi criar uma página apenas para publicar livros. No Scielo Books é possível encontrar livros científicos, licenciados em Creative Commons, em formato PDF ou ePub. Lançada em março, a página tem 5 mil acessos diários.
Para Abel Packer, coordenador do Scielo/Fapesp, as bibliotecas digitais têm um papel social muito bem definido: “A criação de uma biblioteca deve responder a questões básicas como escopo temático, cobertura geográfica e cronológica da coleção. O objetivo da coleção pode ser preservar, mas na maioria dos casos é informar e responder a demandas de uma determinada comunidade”.
O know-how adquirido com a Scielo foi levado para outra biblioteca digital, também com foco acadêmico. Mantida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) surgiu em 2003, de conversas entre representantes do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Bireme, CNPq, USP, PUC-RJ e da Universidade Federal de Santa Catarina. Hoje, é considerada a segunda maior do tipo no mundo, com mais 180 mil textos.
O modelo da BDTD é único no país. Um catálogo online reúne todas as teses e dissertações publicadas sob licenças livres nas faculdades e universidades brasileiras filiadas. O usuário pode buscar por qualquer assunto e, ao encontrar uma tese, baixar diretamente do banco de dados da instituição. A BDTD funciona como um mecanismo de busca e agregador, no qual os metadados das obras foram inseridos seguindo um padrão, e interligando instituições de Norte a Sul.
Esse é o modelo que o MinC espera colocar em pé até 2020 para criar uma central de acesso ao acervo de todas as bibliotecas públicas que não tenham foco unicamente acadêmico. Enquanto isso, os estudantes brasileiros – que ficaram no 88º lugar na classificação da Unesco e poderiam ser enormemente beneficiados com políticas públicas de acesso à cultura digital – devem se contentar com as versões digitais dos clássicos. Ou colocar a mão no bolso para ler, em suas telas, autores atuais e “protegidos” por lei. Desse jeito, em vez de copiar os EUA nas melhores práticas de inclusão digital, como o sistema da biblioteca pública de Nova York, nos resta acompanhar os estadunidenses nas compras de e-books, que cresceram 117% no ano passado, segundo pesquisa encomendada pela Câmara Brasileira do Livro.
www.bdtd.ibict.br | www.books.scielo.org
Quem não pode ler, pode ouvirUma das principais instituições para promoção da acessibilidade no país, a Fundação Dorina Nowill para Cegos transcreve gratuitamente qualquer livro impresso para áudio. Basta que uma pessoa com deficiência visual comprovada faça a solicitação. A fundação também cria versões no formato Digital Accessible Information System (Daisy), que permite ler o livro no computador, por meio de sintetização do texto em som, além de possibilitar a realização de buscas por palavras e a criação de marcações.
Quem mora em São Paulo também pode retirar o áudio gravado direto na biblioteca da Dorina Nowill. Quem vive fora da capital paulista, por enquanto, precisa aguardar a remessa pelo correio do CD com o arquivo. A partir de 2013, porém, o acesso às obras vai ser feito pela internet. A fundação está montando uma biblioteca digital online. As obras poderão ser baixadas em qualquer computador.
O diferencial do projeto está no acervo. Estarão à disposição quaisquer livros, não apenas aqueles sob domínio público. A lei de direitos autorais permite que instituições como a Dorina Nowill façam adaptações de produtos culturais a fim de garantir o acesso a pessoas com deficiência. Assim, a fundação pode converter para Daisy ou audiobooks quaisquer livros solicitados. Como medida preventiva para evitar a pirataria, especialmente do material em áudio, os livros terão criptografia e só poderão ser acessados por usuários que se cadastrarem e comprovarem ter deficiência visual.

Paulo Freire para todos
Desde o início do ano, o Brasil – e o mundo! – ganharam um inestimável presente. Obras de e sobre Paulo Freire começaram a ser colocadas na web, não só em texto, mas também em áudio. Fruto de uma parceria entre o Instituto Paulo Freire (IPF) e Coletivo Digital, 2 mil páginas de livros do educador pernambucano foram convertidas para formato de audiobooks. Os arquivos estão disponíveis para download sob licenças livres e em formato de áudio aberto no site do Projeto Paulo Freire Memória e Presença.
A primeira fase, de gravação de áudio, foi concluída em julho. Sônia Couto, coordenadora do Centro de Referência Paulo Freire, lembra que a iniciativa dará acesso a pessoas com deficiência visual. “Paulo Freire apoiaria a iniciativa, feita de forma livre e colaborativa”, diz.
Além dos audiobooks, o IPF compila, organiza e preserva o pensamento do educador pernambucano. A instituição vem criando uma enorme biblioteca digital livre com conteúdos relacionados a Freire. Os materiais podem ser lidos online ou baixados. Essa biblioteca digital foi construída com base na plataforma Corisco, criada pela Brasiliana USP, a biblioteca digital da Universidade de São Paulo.
Anderson Fernandes de Alencar, coordenador do Projeto Paulo Freire Memória e Presença, conta que os trabalhos para criação da biblioteca digital começaram em 2011, com o objetivo de digitalizar todo o acervo do Instituto. São 50 mil páginas de texto, 200 vídeos e 3 mil fotos. A intenção é publicar tudo na web até o final do ano. Por enquanto, já estão no ar mais da metade dos vídeos, 35 mil páginas dos livros e as 2 mil dos audiobooks. (Bernardete Toneto)

segunda-feira, outubro 26, 2015

Sabedoria que não tem preço

Biblioteca de 9.000 títulos do crítico mineiro Sábato Magaldi é doada para a UFMG


ABRELUPA-G

Referência. Nascido em Belo Horizonte em 1927, Magaldi estudou em Paris e começou a trabalhar como crítico em 1950



Contando com cerca de 9.000 obras estrangeiras e nacionais sobre a história e a crítica do teatro, a biblioteca do crítico mineiro Sábato Magaldi será doada ao acervo da Universidade Federal de Minas Gerais. A informação é da esposa de Magaldi, Edla Van Steen, que vem a Belo Horizonte nesta quarta-feira lançar na Academia Mineira de Letras o livro “Amor ao Teatro”, em que ela compilou 783 das mais de 3.000 críticas publicadas pelo marido entre 1966 e 1988.
“Quero que todos que queiram estudar teatro possam consultar esse material que ele estudou durante a vida, sem precisar ir para a Europa”, ela justifica. Segundo Van Steen, o contrato para a doação foi assinado na última quinta, e o cronograma de quando a UFMG de transporte e catalogação dos livros ainda não foi definido, assim como quais unidades receberão o acervo.

PUBLICADO EM 12/10/15 - 

Ler ajuda na evolução pessoal Para detentos que fazem parte do programa, livros apresentam mundo de conhecimento

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Educação. Com 35 anos de pena, Vinícios Athanazio diz que leitura de livros de filosofia o ajudou a aprimorar o seu vocabulário

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PUBLICADO EM 26/10/15 - 04h00
“Sou muito realista sobre a minha situação. Mas você está onde sua mente está, e os livros me levam para a liberdade. O ‘Tuareg’, do espanhol Alberto Vázquez Figueroa, me levou para os desertos da África”, reflete José Antônio Junio Silva, 32. Preso há dez anos, com sentença de 39 e passagem pela Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, ele hoje cumpre pena na Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Nova Lima, também na região metropolitana, e cursa o terceiro período de administração da Faculdade de Estudos Administrativos de Minas Gerais (Fead), graças a uma parceria com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

Silva já abateu 80 dias de sua sentença lendo e resenhando obras como “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski, “O Monge e o Executivo”, de James Hunter, e o seu preferido: “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. “Que livro lindo, não é?”, observa.

Estimulado pela possibilidade de antecipar a liberdade, o detento conta que a remição da pena pelos livros o modificou em tudo, inclusive ajudando a conhecer seu espaço no mundo. “Essa prática é propícia para matar o criminoso que existia dentro de mim e me levar a descobrir novas possibilidades”, afirma de modo convicto e eloquente.

Os resumos que faz são corrigidos por uma professora voluntária, com quem debate o conteúdo. Ortografia, concordância ou pontuação: nada passa despercebido. Depois, as resenhas são reescritas e entregues ao fórum para que seja computada a redução. “Com certeza sairei daqui melhor do que entrei”, assegura ele, que está próximo a conquistar o regime semiaberto.

Diretor artístico do Conselho de Sinceridade e Solidariedade da unidade prisional em Nova Lima, Vinícios Athanazio, 33, tem 35 anos de pena a cumprir: 12.775 dias. Até agora, já abateu 64 dias por meio da leitura e espera, ainda, ter outros 1.636 dias a menos na prisão lendo e resenhando. “Esse volume de leitura me ajudou a limpar e aprimorar o meu vocabulário, que era restrito à linguagem de rua. Conheci o filósofo alemão Arthur Schopenhauer e a busca pela felicidade”, diz com a voz baixa e segura.

Com pena menor – 12 anos a cumprir –, mas também empenhado na leitura, Alan Nataniel Bitencourt, 24, é responsável pela biblioteca da Apac Nova Lima, que tem cerca de 1.500 volumes. Ele já leu e resenhou “Nunca Desista de Seus Sonhos”, de Augusto Cury, e “Perseguição”, de Alexandre Martinelli. “Não me identifico com crônicas, gosto mesmo é de histórias políticas”, diz. Ele explica que, além da remição de pena, a leitura ajuda aqueles que querem fazer o Enem prisional. “A redação, assim como as resenhas que fazemos, exige que saibamos argumentar e mostrar conhecimento próprio sobre temas da atualidade”.

A diretora da Apac Nova Lima, Sônia Tibo, afirma que não há proibição sobre o que ler, mas temas mais leves são sugeridos. “Temos uma orientação para assuntos e textos que valorizem a família, por exemplo. Violência e pornografia não constam em nossa biblioteca”, diz a diretora.

Leitura pode ser até terapia
Para o presidente da Academia Mineira de Letras, Olavo Celso Romano, em um mundo em que se vive confinado, a leitura e a escrita podem ser oportunidade de comunicação com o exterior. “Pode funcionar até como uma terapia, por levar à reflexão a partir de uma angústia”, diz

Em setembro, ele participou de um concurso literário na penitenciária de Conselheiro Lafaiete, que abriga 200 detentos. Segundo ele, 35% dos internos enviaram textos. “Aquele que tem disposição de ler mostra que, apesar de preso, não está mentalmente confinado”.

Para ele, a adesão à leitura significa que o detento tem esperança na possibilidade de construir um mundo novo de dentro para fora. “O ato de ler pode ser um farol, um guia para o peso do cárcere”, resume.


Enem prisional dá oportunidade

Na última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pessoas privadas de liberdade e jovens sob medida socioeducativa, chamado de “Enem Pessoas Privadas de Liberdade (PPL)”, em dezembro de 2014, houve 38,1 mil candidatos no país, 6.099 deles em Minas, o segundo Estado com mais inscritos, atrás apenas de São Paulo. Foram aplicadas a redação e as provas de matemática, linguagens e códigos, em 27 unidades prisionais.

De acordo com o Observatório da Educação, uma das poucas diferenças entre as duas avaliações é a data. Enquanto o Enem tradicional foi realizado ontem e anteontem, o PPL – ou Enem prisional – será em 1 e 2 de dezembro.

Os candidatos são tratados com a mesma exigência. As avaliações são aplicadas em ambiente semelhante a uma escola, na própria unidade onde o detento cumpre pena, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Devido à diferença de datas, mudam-se as questões e o tema da redação. A estrutura e o nível de dificuldade das provas são mantidos. O tempo necessário para fazer a prova é o mesmo: 4h30 no primeiro dia e 5h30 no segundo.

Objetivos

Os detentos podem usar a nota para comprovar a conclusão do ensino médio ou tentar vaga em instituição superior que atenda presos.

A forma de cálculo da avaliação é a mesma, a partir da Teoria de Resposta ao Item (TRI), cuja soma final não é a quantidade de acertos, mas a qualidade das respostas. 

fonte : o tempo


Biblioterapia : o poder da leitura na evolução pessoal da pessoa humana

Detentos reduzem tempo na cadeia com leitura de livros 

Por cada volume lido, os presos ganham o direito de abater, a cada mês, quatro dias na pena



APAC


Em vigor há mais de dois anos, a Recomendação 44/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem uma proposta simples: fazer o preso ler mais para ficar menos tempo na cadeia. Porém, apenas três presídios de Minas Gerais adotaram essa forma de estimular detentos a cumprir pena mais rapidamente: Itabira, Poços de Caldas e Governador Valadares, o que significa 2,1% das unidades prisionais do Estado. Além deles, a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Nova Lima segue a recomendação, segundo a qual, a cada livro lido, resenhado e avaliado por uma comissão, o preso tem direito de abater quatro dias no cumprimento da sentença.
Na opinião do desembargador Jarbas Ladeira, coordenador do programa Novos Rumos, que monitora e fiscaliza o sistema carcerário no Estado, diante do atual cenário de presídios lotados e interditados, são necessários métodos que vão além da prisão de pessoas. Para ele, obras que variam da filosofia aos temas religiosos podem ser ferramentas para desafogar o sistema prisional e contribuir para a reinserção de um homem melhorado na sociedade. “A opinião pública quer que se encarcere mais e mais. Mas não temos onde colocar tanta gente. Se pudermos dar ao preso leitura e educação em vez do ócio, teremos as bases para reduzir até os índices de reincidência, que chegam a 85%”, avaliou.
A avaliação de Ladeira está em sintonia com últimos dados revelados pelo relatório “Mapa do Encarceramento: Os Jovens do Brasil”, divulgado em junho deste ano pela Secretaria Geral da Presidência da República, que mostra o crescimento de 624% da população carcerária no Estado entre 2005 e 2012.
Adoção. Segundo o CNJ, por se tratar de uma recomendação, não há a obrigatoriedade de implantação da medida pelos presídios. Entretanto, para o juiz Thiago Colgano Cabral, responsável pela adoção da recomendação, em maio deste ano, na Penitenciária Francisco Floriano de Paula, em Governador Valadares, a iniciativa pode ajudar a mudar o que ele chamou de funil: um imenso movimento de entrada de detentos nas penitenciárias, mas mínimo de saída. “O Judiciário não tem gestão de política pública. A remição pelos livros é forma de reconhecer o direito do preso sem significar afrouxamento indevido”.
Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social, não há limitação material para a adoção da recomendação, uma vez que a maioria das unidades prisionais já teria bibliotecas estruturadas. A pasta informou, ainda, que a minuta de resolução para implementar e regulamentar a remição de pena por meio da leitura já havia sido elaborada e encaminhada ao Tribunal de Justiça de Minas para análise e assinatura conjuntas.
Alcance
Redução. Apesar de Minas Gerais ter uma população carcerária de 45.540 pessoas nos regimes fechado e semi-aberto, apenas 671 presos se beneficiam da remição da pena pela leitura.


Academia de Letras apoia iniciativa 
Na Penitenciária Francisco Floriano de Paula, em Governador Valadares, na região do Rio Doce, 553 presos se beneficiam da remissão de pena por meio da leitura de obras literárias. Para cumprir a medida, foi firmada uma parceria com a Academia Valadarense de Letras (AVL), que colabora para o desenvolvimento do projeto. Mensalmente, os detentos recebem palestras realizadas pela equipe da AVL sobre práticas de leitura. A análise e a correção das avaliações escritas pelos presos são feitas por comissão composta por escritores, advogados, educadores e bibliotecários, membros da AVL. Por lá, o projeto está em prática desde maio desse ano.

No presídio de Itabira, o projeto está em andamento desde janeiro deste ano e atende 15 detentos.
Em Poços de Caldas, onde a biblioteca conta com mais de 400 exemplares, 23 presos produzem mensalmente as resenhas das obras que leem. 

Um exemplo do que pensa  sobre esse sistema


César

Pereira
O desembargador vem com a velha historia que não há mais lugar para colocar presos, e depois solta essa ideia esdruxula de abater quatro dias na pena de um preso, por cada livro lido ! Como sempre esses doutores e suas ideias para facilitar a vida do preso em detrimento da vítima ! Os EUA tem se não me engano o dobro da população carceraria do Brasil, porque aqui então não há lugar para presos,isso é para enganar o cidadão ! A VIOLÊNCIA NO PAÍS É TAMANHA,OU SEJA ESSE NÃO É O MOMENTO DE PENAS ALTERNATIVAS, O MOMENTO É DE REPRIMIR,dar penas mais severas e menos direitos ao infrator ! Só assim a coisa se resolvera !