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domingo, novembro 15, 2015

O risco de ser mulher

O Brasil é o oitavo país no mundo em número de mulheres assassinadas e registra mais de meio milhão de estupros todos os anos.

Mesmo com todo esse histórico de violência contra a mulher, o país nunca testemunhou um levante feminista como o visto agora. Nas últimas semanas, milhares de mulheres tomaram as ruas de Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre para protestar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o machismo que mata.

Kobra Babaei, uma mulher iraniana, corre o risco iminente de ser apedrejada até à morte após o seu marido Rahim Mohammad ter sido enforcado por “sodomia”  1  2


Ontem, foi a vez de Belo Horizonte. O grito de guerra entoado na praça da Liberdade foi “Fora Cunha”. O movimento “Mulheres contra Cunha” pede a saída do deputado da presidência da Casa por causa de suas “pautas fundamentalistas”.

A cena parece ferver com a aprovação, por comissão da Câmara, de um projeto de lei que dificulta o acesso de vítimas de estupro ao atendimento médico.

A votação aconteceu na mesma semana em que uma participante da edição infantil do MasterChef Brasil, uma menina de 12 anos, foi vítima de assédio por pedófilos nas redes sociais.

A cultura do machismo no Brasil é tão palpável que foi preciso criar uma lei específica para proteger a mulher da violência, geralmente doméstica: a Lei Maria da Penha.

No entanto, a agressão física ou verbal não é a única forma de violência. Todos os dias, mulheres são obrigadas a deixar seus empregos por ordem de maridos ciumentos ou são assediadas despudoradamente nas ruas por estranhos.

O panorama é ainda mais assustador quando é lembrada pesquisa divulgada pelo Ipea, em 2014, que apontou que 26% dos brasileiros concordam que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Com o Enem, o governo parece ter dado passo importante para levar a discussão de gênero às salas de aula. A prova contou com citações da escritora feminista Simone de Beauvoir. A violência contra a mulher foi o tema da redação.

Ser mulher no Brasil nunca foi tão perigoso. A emancipação feminina constitui uma ameaça para certos homens. Daí o porquê dessa mobilização destinada a demonstrar a força das mulheres por meio da ação coletiva.


sábado, outubro 31, 2015

Fabrício Carpinejar retorna à poesia após oito anos

Escritor reflete sobre a vida a partir do olhar das mulheres presentes em seu velório


SÃO PAULO. Fabrício Carpinejar teve de morrer para escrever “Todas as Mulheres”, livro de poesia a ser lançado no dia 9 de novembro. A obra – um poema único separado apenas por marcações gráficas – tem como narrador um poeta que, do outro lado da vida, observa o próprio velório.
O espírito do poeta passa os olhos pelas mulheres presentes na cerimônia derradeira, e ele tenta responder (sem sucesso) a uma questão fundamental: “Quem mais me amou?”. Percebe, contudo, que a pergunta essencial é “quem eu mais amei?”. “A ideia é abordar o narcisismo, o querer ser amado”, diz Carpinejar.
“Todas as Mulheres” encerra um jejum de oito anos sem poesia, desde “Meu Filho, Minha Filha” (2007). Nesse período, Carpinejar lançou coletâneas de crônicas como “Para Onde Vai o Amor”, deste ano, e “Canalha!”, que arrebatou o Prêmio Jabuti na categoria contos e crônicas em 2009. Enquanto publicava sua prosa, dedicava-se à poesia na miúda: passou todo esse tempo escrevendo a obra que agora se apresenta.

G-F
Fabrício Carpinejar passou os últimos anos se dedicando à prosa

O Tempo