sexta-feira, março 25, 2011

Por que não plagiar?


Direitos autorais e plágio na Universidade foram temas da palestra dessa segunda-feira (17), que aconteceu no Auditório da Biblioteca da Unifor.
“Para entender o que é plágio, primeiro temos que entender o que é Direito Autoral”, é o que diz o presidente da Comissão de Direitos Culturais da OAB-CE, Ricardo Bacelar.
O Direito Autoral é regido no Brasil pela Lei nº 9.610/98, que trata das obras (literárias, artísticas ou científicas) consideradas como criação do espírito do homem, fixadas em um suporte. Como assim? Se um indivíduo possui uma poesia em mente e não publica o texto, ele não tem como provar que aquela obra é sua e, por isso, a poesia fica no campo da abstração. Então, ela só se torna uma obra no ponto de vista do Direito, quando esse pensamento é fixado em um suporte (podendo ser físico ou virtual, bastando apenas um meio que possa provar a autoria da obra).
O Direito Autoral possui um viés relacionado ao direito de propriedade, que é o direito que o autor da obra possui quando escreve um livro, por exemplo, de auferir lucros por meio da comercialização de sua obra. Outro viés relacionado ao direito autoral é o de personalidade, ou seja, a obra é uma extensão do espírito do autor, é um direito eterno que ele possui sob sua produção.
“A 5ª sinfonia do Beethoven será sempre dele, pois foi uma produção íntima do artista e ninguém pode se apropriar de sua obra. A autoria dessa sinfonia é eterna”.
Já na Universidade, os estudantes devem obrigatoriamente citar o nome dos autores das frases e ideias em suas produções. Se não agirem dessa forma, estão desrespeitando o direito autoral desses autores.
“O plágio possui duas características. A primeira consiste no intuito de se apropriar de algo que não é seu. A segunda consiste no intuito de dissimular o plágio feito para ninguém descobrir. Ao fazer isso, você rouba o espírito de outra pessoa. Coisa material você ainda pode até substituir, mas sentimento, não. Plágio é uma coisa terrível”, explica Ricardo.
Todos sabem que o plágio é errado, mas isso não impede que a ocorrência desse fato seja constante. Não se pode desvincular a obra de alguém, nem mesmo mudando as palavras, pois assim é a ideia do autor que se torna o objeto do plágio. Hoje em dia, as monografias são comercializadas até pelo twitter.
Pelo ponto de vista da educação, as crianças de hoje já começam na escola copiando e colando as informações da internet, pois as fontes de pesquisa são muito fáceis e os alunos não se dão mais ao trabalho de escrever.
“Se desde sempre já copiam e colam as informações da internet nos seus trabalhos, irão ingressar na Universidade copiando e colando também”.
A ideia de solução desse problema nas Universidades é a utilização de um software que detecta nas monografias e trabalhos acadêmicos os possíveis plágios cometidos pelos alunos. O presidente da Comissão de Direitos Culturais da OAB-CE acredita que a utilização desse sistema vai ajudar no desenvolvimento intelectual dos estudantes. A Universidade possui o papel de repressão, mas também de conscientização.
Enquanto o uso desse software não entra em vigor, o site “Farejador de Plágio” possui um mecanismo que nos permite avaliar se determinado documento possui algum tipo de plágio. Esse projeto foi idealizado e produzido por Maximiliano Zambonatto Pezzin, Engenheiro da Computação Mestre em Ciência da Computação.

* Texto de Suani Sales


Google analisa novas formas de financiar indústria de livros- noticia velha 15 de outubro de 2010


Empresa quer viabilizar uma nova plataforma de pagamentos junto às editoras e que capitalize ainda mais o conteúdo.

Phillip Schindler, diretor de operações do Google para a Europa Oriental, anunciou na última quinta-feira (14/10), que o a gigante de buscas vem negociando com as principais editoras de livros do mundo, novas formas de capitalizar o conteúdo editorial.
“Nos vemos como um parceiro de tecnologia e queremos trabalhar com as editoras para viabilizar uma nova plataforma de pagamentos”, afirmou Schindler, durante o evento Media Days, em Munique, na Alemanha. "Acreditamos que os direitos autorais devem ser protegidos e que todo conteúdo é valioso. Queremos que nos aliar às editoras para ajustar seus modelos de negócios à era digital".
As declarações foram feitas logo após o encerramento da Feira do Livro de Frankfurt, que aconteceu entre os dias 06 e 10 de outubro. Na ocasião, o Google anunciou que estava tudo pronto para o lançamento do Google Editions que, segundo a empresa, será a maior biblioteca digital do mundo.
Apesar de Schindler não divulgar data do início das atividades do Google Editions ou os parceiros da plataforma, ele anunciou algumas estratégias de venda. Uma delas é uma espécie de “pay-per-artigo”, onde os leitores pagam apenas pelo conteúdo específico de um jornal ou revista. Será possível também adquirir publicações por meio de smartphones e tablets.
Ainda de acordo com o executivo, o Google deixará a cargo das editoras o modo de como elas preferem obter seus rendimentos pelo conteúdo, ao invés de impor “um rigoroso modelo vertical”.

IDG Now!

Retrato em preto e branco


Quando os Estados nacionais começaram a se consolidar precisaram construir uma narrativa sobe si mesmos que os diferenciasse dos outros. Os Estados Unidos, carentes de mão de obra e com um imenso território hostil, criaram o mito da “Terra da Oportunidade”, onde qualquer um, caso se esforçasse, conseguiria sucesso. Aqui, criamos vários mitos, e o que mais persiste é o das “três raças” que convivem harmoniosamente.
Esta falácia brasileira encontra adeptos até hoje, que insistem em dizer que não existe racismo entre nós e a discriminação seria, no máximo, de carácter socioeconômico. Nessa linha, haveria uma discriminação contra os pobres (potencialmente ladrões) que, por uma tristeza histórica, por um legado de mais de cem anos nunca encarado de frente, são maioritariamente negros. Isso aplaca nossa culpa e joga nosso racismo para baixo do tapete, transformando-o numa coisa mais palatável.
Esta tese foi repetida exaustivamente quando do debate sobre as cotas raciais. “Não somos racistas, não há discriminação racial, portanto, as cotas, ao invés de solucionarem um problema, o criarão”. Em suma é este o pensamento de Ali Kamel e seu pupilos, Arnaldo Jabor e Demétrio Magnoli (este último brilhantemente refutado, com requintes de crueldade, pelo professor do Departamento de Antropologia da USP, Kabengele Munanga).
Somos cordiais, amigos, sambistas por excelência, boleiros desde o nascimento, despidos de qualquer racismo. Quem insiste no contrário é porque quer dividir este povo tão amável! Mas eles esqueceram de combinar com a Agência Estado. Uma matéria publicada na úlitma terça-feira (08) mencionava que somos mais exigentes que os gringos na hora de adotar uma criança. “Segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), quase 100% dos casais brasileiros recusam crianças negras, pardas e indígenas, enquanto 77% dos estrangeiros são indiferentes à cor da pele.”
Aqui, nesta simples matéria, o racismo é desmascarado duplamente. Vejamos a proporção. Quase 100% dos possíveis pais adotivos brasileiros não adotam crianças que não sejam brancas. Para os estrangeiros, isso fica em torno de 23%.
A verdade, no entanto, se revela quanto mais se tenta escondê-la. Digamos que isto seja um famoso “ato falho”. A matéria fala que somos “mais exigentes” que os gringos. Numa primeira leitura imaginei algo mais irrelevante como exigência, talvez a idade. Pais adotivos quereriam bebês, e não crianças, ou não querem que o bebe seja fruto de um incesto…
Mas não, os casais brasileiros se recusam a adotar não-brancos e condenam os milhares de recém-nascidos negros, pardos ou indígenas a uma vida em orfanato simplesmente por serem… negros, pardos ou indígenas!
Segundo a mesma matéria, temos hoje 31.000 mil casais querendo adotar, ansiosos por ter um filho, e apenas 8000 crianças para adoção. Mas não tão ansiosos assim, afinal somos um povo criterioso, exigente, não nos contentamos com qualquer criança. Ela tem que ter saúde, ser fruto de uma relação saudável… e, a maior das exigências: ser branca.
A reportagem se refere exatamente a isso, em uma linguagem criteriosamente escolhida para tentar esconder o enorme preconceito e, por isso mesmo, o revela. Num jogo de mostra-e-esconde, tentamos esconder nosso racismo, mas revelamos, como nunca, nossa hipocrisia.

por Por Walter Hupsel 

não somos racistas Ali Kamel
Jabor e a cor
adoção de crianças 
Kabengele Munanga responde a Demétrio Magnoli
Monstros tristonhos

Dissertação propõe uso de ontologias em planos de classificação arquivística


Dissertação propõe uso de ontologias em planos de classificação arquivística
Bibliotecários no Fórum Democrático para Desenvolvimento
de Minas Gerais
CRB-6 recebe colaboração para suas publicações
A bibliotecária Silvana Aparecida Silva dos Santos defendeu, em novembro passado, junto ao
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), dissertação em que defende o uso de ontologias para avaliar a efetividade de esquemas de
classificação de diversos tipos, inclusive planos arquivísticos.
No estudo Uma investigação sobre planos de classificação arquivísticos a partir de princípios
ontológicos: um estudo de caso sobre instituições federais de ensino superior, Silvana descreve uma
proposta para utilização de ontologias como alternativa para melhorias em planos de classificação
arquivística.
No desenvolvimento do trabalho, orientado pelo professor Maurício Barcellos Almeida, a
pesquisadora apresenta uma breve fundamentação da arquivística, da teoria das ontologias, bem
como dados sobre uma ontologia de referência de abrangência internacional na área de arquivos e
museus. “Ontologias têm se tornado um assunto de interesse cada vez maior em diversas áreas de
pesquisa como uma alternativa para organização da informação”, afirma a autora, ao lembrar que
além do tradicional estudo como disciplina filosófica, a teoria subjacente das ontologias tem sido
utilizada “em campos de pesquisa relacionados ao desenvolvimento de sistemas, interoperabilidade,
web semântica, memória corporativa, para citar alguns”.
Segundo ela, no âmbito dos sistemas de informação, uma ontologia pode ser usada como uma
referência, um padrão de comparação para avaliar a representatividade do modelo subjacente ao
sistema. “Na verdade, ontologias podem ser utilizadas para avaliar a efetividade de esquemas de
classificação de diversos tipos, inclusive planos arquivísticos, como é demonstrado no presente
trabalho”.
Ela defende que os planos arquivísticos, pela sua importância na organização dos documentos de
arquivo, devem ser constantemente aprimorados. E conclui sobre a relevância do tema para abordar
questões da classificação arquivística, com vistas a atender demandas da realidade das instituições
caracterizada por sistemas informatizados e documentos arquivísticos em formato digital.

A síndrome do coração partido


A síndrome do coração partido
A doença simula um infarto com dores no peito depois
de situações de estresse e afeta especialmente mulheres acima de 65 anos

AUGUSTO BOZZA*
Augusto Bozza: a crise não deixa sequelas
As mulheres são realmente mais sensíveis do que os homens? Na resposta para essa pergunta encontra-se a chave para desvendar uma doença cardíaca que vem alcançando projeção nacional: a síndrome do “coração partido”. Metáfora bastante utilizada para ilustrar a sensação de uma decepção amorosa, a doença atinge principalmente mulheres com idades acima de 65 anos, raramente abaixo dos 50, com histórico de forte estresse físico ou emocional ou que tenha se submetido a uma cirurgia, 
não cardíaca. Os índices revelam que 80% dos casos confirmados ocorrem em mulheres.
Os primeiros relatos da síndrome do “coração partido” surgiram no Japão no início dos anos 90. Em 2001, o primeiro estudo com 88 pacientes foi divulgado na revista do American College of Cardiology e, após essa primeira publicação, novos casos foram relatados em países do Ocidente. Conhecida cientificamente como Acinesia Apical Transitória, a síndrome do “coração partido” foi batizada pelos japoneses de síndrome de Takotsubo, ou síndrome da Armadilha de Polvo, porque suas imagens no cateterismo cardíaco assemelham-se às armadilhas usadas pelos pescadores para apanhar polvos. Aqui no Brasil, vários casos já foram diagnosticados no Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras (INCL).
Os sintomas simulam um infarto agudo do miocárdio com dor no peito, menos intensa que o habitual, com alterações no eletrocardiograma e nas enzimas cardíacas. O ecocardiograma e a cinecoronariografia selam o diagnóstico, revelando falha na contração da ponta do ventrículo esquerdo com as artérias coronárias sempre normais, sem obstruções. Na fase aguda, podem ocorrer arritmias graves e o paciente deve ser internado em uma unidade de tratamento intensivo.
A causa que leva a este quadro ainda não está bem esclarecida, mas várias teorias apontam para a liberação de hormônios adrenalina e nor-adrenalina nos casos de estresse, que atuariam sobre a inervação da ponta do coração, impedindo sua contração. Apesar de ainda existirem várias controvérsias a respeito das causas, há consenso que, após a fase aguda, a recuperação do coração é espontânea e total, não deixando seqüelas, e são raras as repetições do quadro.
O mais importante ainda ninguém respondeu: porque a síndrome ocorre praticamente só em mulheres acima dos 60 anos? O coração feminino é realmente mais delicado que o do homem e se “quebra” com mais facilidade em caso de fortes emoções? E as mulheres jovens, seus corações não são tão sensíveis como o de suas mães e avós? Enquanto todas essas perguntas não forem respondidas, as pesquisas continuarão a entreter os especialistas na busca da prevenção. Em pleno século XXI, a medicina cria uma hipótese intrigante e coloca a natureza feminina em questão. Se comprovarem que o “coração partido” é uma peculiaridade feminina, como explicar a negativa de que as mulheres não são o “sexo frágil”? Fica no ar mais uma pergunta a ser respondida pelas pesquisas.
* Augusto Bozza é diretor médico do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras (INCL) no Rio, 
hospital referência em coração do Ministério da Saúde.
Pílulas
» As mulheres são mais atingidas pela síndrome do coração partido mas os homens devem ficar atentos porque também podem sofrer deste mal
» Em alguns casos, o traumatismo craniano causado por pequenas quedas pode levar à síndrome do coração partido. Nestes casos mais específicos, os homens também podem ser afetados pelo mal
» Caso sinta dor intensa no peito, falta de ar e cansaço, a pessoa deve fazer um exame clínico
» Não há um tratamento específico para a síndrome, mas normalmente são ministrados medicamentos que reduzem o trabalho do coração e o risco de arritmia
saiba mais aqui:

Plano Decenal de Educação


O que é

O Plano Decenal de Educação encaminhado pelo Executivo, contido no Projeto de Lei (PL) 2.215/08, estabelece objetivos, metas e ações para a política educacional do Estado nos próximos dez anos. O projeto atende a Lei Federal 10.172, de 2001, que determina aos Estados, Distrito Federal e municípios a elaboração de planos decenais de educação, com base no Plano Nacional de Educação. As metas abrangem educação infantil, ensinos fundamental e médio, educação superior; educação de jovens e adultos; educação especial; educação tecnológica e formação profissional; educação indígena, de escolas rurais e quilombolas; formação e valorização dos profissionais da educação; financiamento e gestão e interação entre as redes de ensino.

Entre as metas listadas pelo governo estadual, destacam-se:
  • ampliar a jornada escolar até a oferta de tempo integral, no ensino fundamental;
  • reduzir o abandono escolar e aumentar a taxa de conclusão no ensino médio, com a preparação para o trabalho por meio de cursos profissionalizantes;
  • conectar laboratórios de informática à internet; e
  • qualificar o profissional da educação infantil.
Em todo o plano, uma das metas que se repete é a que visa à melhoria do desempenho dos alunos, a fim de que a universalização da oferta seja acompanhada pela qualidade do ensino. A implementação das metas dependerá de disponibilidade orçamentária e financeira.

Jornada de tempo integral e ensino fundamental de nove anos

Entre as metas relacionadas aos ensino fundamental, destacam-se as que dizem respeito à ampliação progressiva da jornada escolar diária, visando à oferta de tempo integral para 40% dos alunos de 4 e 5 anos, em dez anos, priorizando os que se encontram em condição de maior vulnerabilidade social; e 60% dos alunos do ensino fundamental, em dez anos, priorizando também os que se encontram em condição de maior vulnerabilidade social. O governo espera, ainda, ter todos os alunos sabendo ler e escrever aos 8 anos, em três anos; e elevar a taxa de atendimento escolar para 98% em três anos, consolidando a universalização do acesso à escola pública na faixa de 6 a 14 anos.

Outras metas são:
  • instalar laboratórios de informática e conectá-los à internet em 100% das escolas estaduais de ensino fundamental, em dois anos, e nas escolas municipais, em seis anos;

    aumentar a taxa de conclusão do ensino fundamental para 80%, em cinco anos; e
  • reduzir em 40%, também nesse período, a taxa de abandono nesse nível de escolaridade.
Com relação ao ensino fundamental de nove anos, com matrícula aos 6 anos, a meta do plano é implantá-lo em todas as escolas públicas e privadas, até 2010. De acordo com o Executivo, Minas já responde por 37,2% do total de matrículas no ensino fundamental de nove anos existentes no Brasil - índice elevado para 61,7% quando se consideram apenas as matrículas nas redes estaduais. Quando a comparação é feita com a Região Sudeste, as matrículas em Minas representam 57,5% do total na região e 75,9% quando são consideradas apenas as matrículas nas rede estaduais. 

Maior oferta de formação profissional no ensino médio
 

Quanto à educação tecnológica e formação profissional, apenas 1,6% das matrículas na educação básica estão na educação profissional de nível técnico, enquanto no Brasil a média é de 1,1%. Para mudar essa realidade, o plano se propõe a elaborar, em dois anos, plano de expansão e gestão da educação profissional, articulado com a educação básica e a formação de jovens e adultos. Também se propõe a criar um sistema de informações de mercado de trabalho e a estabelecer um regime de cooperação com setores produtivos e ONGs na oferta de educação profissional.

Outras metas para o ensino médio são:
  • ter todas as escolas públicas de ensino médio oferecendo, em três anos, na parte diversificada do currículo, cursos de qualificação básica para o trabalho;
  • ampliar para 30% o número de matrículas de educação de jovens e adultos na opção formação profissional; e
  • ampliar em 100% a oferta de vagas para educação profissional, na modalidade educação a distância, em dez anos. 
Recursos didáticos e merenda

O governo admite que o ensino médio acumula problemas derivados da ineficiência e da baixa qualidade dos níveis anteriores, e traz indicadores piores. Para reverter esse quadro, o Executivo se propõe a:
  • fazer com que todas as escolas de ensino médio estejam equipadas com recursos didáticos e infra-estrutura física necessários a uma educação de qualidade e com professores habilitados, em cinco anos;
  • ter 100% dos alunos do ensino médio com acesso à merenda escolar, em quatro anos; e
  • que, em cinco anos, todas as escolas desse nível estejam equipadas com laboratório de ensino de ciências e biblioteca.

Qualificação profissional e desafios para a gestão
Com relação aos profissionais de educação, o PL 2.215/08 traz várias metas, entre elas:
  • aumentar para 50%, em cinco anos, a taxa de professores com curso normal médio completo ou superior atuando na educação infantil e para 100%, em dez anos; e
  • levar para 97%, em cinco anos, a taxa de professores habilitados com formação superior completa atuando no ensino médio e para 100%, em dez anos; e
  • reduzir em 50%, em cinco anos, o percentual de servidores com contrato temporário na rede pública e em 80%, em dez anos.
No que diz respeito à gestão, uma das metas do plano é tornar disponível, a partir do seu primeiro ano de vigência, base de dados educacionais atualizados em rede e em tempo real, abrangendo informações contidas no Atlas da Educação do Estado de Minas Gerais. Outras são:
  • garantir a realização anual de conferências municipais de educação;
  • informatizar, em quatro anos, a administração escolar de todas as escolas públicas de educação básica; e
  • instituir, no prazo de três anos, o Portal da Educação em Minas Gerais, que funcione como suporte das atividades da sala de aula, com ambiente diferenciado para professor e aluno.
Conheça as Metas e Ações Estratégicas do PL 2.215/08
O Projeto de Lei (PL) 2.215/08 é dividido em 11 temas, que estão estabelecidos no texto Anexo do projeto. Cada tema possui  propostas de Ações Estratégicas e Metas, que, de acordo com o Poder Executivo, estão sujeitas à disponibilidade financeira.

Veja a seguir quais são as 11 temas e cada uma de suas Ações e Metas, além de um texto introdutório para cada tema.

1.
Educação Infantil
2. Ensino Fundamental

3. Ensino Médio

4. Educação Superior

5. Educação de Jovens e Adultos

6. Educação Especial

7. Educação Tecnológica e Formação Profissional

8. Educação Indígena, Educação do Campo e Quilombolas

9. Formação e Valorização dos Profissionais de Educação

10. Financiamento e Gestão

11. Diálogo entre as Redes de Ensino e sua Interação


saiba mais

Escrita Feminina?


O dicionário define escrita feminina como aquilo que não deve ser lido. O que se aplica também aqui. Me chamaram e não leram nada do que escrevi.
O toque de feminilidade ao blog deve se ao fato de que meus coleguinhas se sentiram ofendidos por terem sido chamados de machistas, e por medinho de que uma escrita feminina se transformasse em queixa.
Mantenhamos nossos soutiens devidamente acoplados em nossos seios. Chegou a inclusão social mediante processo legal.
Já que estou aqui como minoria QUANTITATIVA, falarei também sobre a proposta de infanticídio de mulheres anteriormente apresentada.

Porquê não contra?
- com um número menor de mulheres haveria maior competição por parte dos homens.
- surgimento de homens higiênicos, educados, desprovidos de barriga de cerveja e sem pêlos excessivos em locais inapropriados.
- homens com curso de pompoarismo e aulas de massagem no currículo. MAS ESPERE, ligando agora lhe enviaremos também um par de acessórios dotados de polegares opositores e um músculo intumescido com papilas gustativas e envolvido por mucosas! DE GRAÇA!

Se os homens realmente fossem tão bons não haveria motivo para a revolução sexual. Hoje não seria ensinado até mesmo nas escolas católicas a máxima: Conhece a ti mesmo.
“homes não são arqueólogos, portanto explore o seu corpo”
Não haveria toda uma literatura de manuais do tipo “faça você mesmo”, e a profissão Detetive do Prazer seria a mais procurada nas páginas amarelas.

Porquê contra?
Um mundo repleto de homens...
-repleto de blogs bem escritinhos
-todos esses autores brilhantes como Paulo Coelho, Fábio de Melo, Dan Brown, Dráuzio Varela se multiplicariam entre os Best-sellers
-haveria duas páginas de citações na revista Caras já que quando conseguem formular mais de uma frase dificilmente proferem algo de interessante
-mais garotinhos vestindo fantasias coloridas em reuniões, e se conhecendo melhor através de hentais
-mais filmes de ficção, de guerra e comédias como “Superbad-É hoje” e “Eu te amo, cara” que exploram a beleza e as sutilezas da amizade masculina heteronormativa
-o fim do AA. O contingente seria muito grande para eles não se assumirem
-maior número de morte por overdoses, imprudência no trânsito, e câncer no pulmão
-expansão econômica do tráfico de drogas, de cassinos e porte de armas
-mais prisões e centros de atendimento para portadores de sofrimento mental
-maior número de casos de violência de gênero justificada pela agressividade inata dos homens, e de estupro como um mecanismo da natureza para homens menos adaptados disseminarem seu esperma (se bem que hoje já existe essa explicação por cientistas masculinos)
-maior número de cegos já que devido a interpretações de outro livro de escrita masculina (um que se chama Bíblia) algumas práticas podem levar a cegueira.

Enfim, nunca houvera e nem haverá mais homens do que mulheres, pois eles se auto-exterminariam.
Em termos biológicos, homens são realmente mais fortes até broxarem. Mais ágeis a ponto de dominarem e terem exclusividade sobre a prática de ejacular precocemente. Mais inteligentes ao escolherem mulheres como companheiras, e mais conscientes ao escolherem um parceiro que realmente merecem, um do sexo masculino.

Delta de Vênus

A vítima indigesta


A vítima indigesta


Em livro, a austríaca Natascha Kampusch critica o maniqueísmo da sociedade e da imprensa – e de todos nós
ELIANE BRUM


Quase todos se lembram da austríaca que, em 23 de agosto de 2006, fugiu de seu sequestrador nos arredores de Viena. Natascha Kampusch terminava ali 3096 dias de um sequestro iniciado oito anos antes, em 2 de março de 1998. Naquele dia, sem se despedir da mãe depois de uma briga, ela caminhava até a escola quando foi agarrada e empurrada para dentro de uma caminhonete branca por Wolfgang Priklopil, engenheiro de telecomunicações, ex-funcionário da Siemens, jovem, educado, tímido e com enormes problemas com o mundo de fora. E, claro, com o de dentro.
Natascha viveu dos 10 aos 18 anos confinada no porão da casa de Priklopil. Depois dos primeiros tempos, ela alterou o porão com trabalhos duros na parte superior da casa que ajudava a reformar e a limpar. Sempre seminua e na maior parte do tempo com os cabelos raspados para não deixar vestígios. Nos últimos anos apanhava violentamente quase todos os dias e mal conseguia sustentar um corpo coberto por hematomas, cortes e lesões. A submissão era garantida ainda com a baixa ingestão de calorias e às vezes a suspensão total de comida por até dias. Aos 16 anos, Natascha media 1m75 e pesava 38 quilos.
Em 23 de agosto de 2006, Priklopil estava no bem protegido jardim da casa com Natascha, que aspirava os bancos da caminhonete, quando o celular dele tocou. Quando Priklopil precisou se afastar para atender à ligação por causa do barulho do aspirador, ela fez um enorme esforço para vencer a prisão psicológica que depois de tantos anos a paralisava mais do que os muros e escapou pelo portão. Desta vez, Natascha correu. Mais tarde, Priklopil se jogaria diante de um trem.
Este é o resumo da história. E era tudo o que eu sabia até agora porque quando começo a acompanhar esse tipo de caso no noticiário é sempre tão previsível que perco o interesse no segundo dia de cobertura. Há um monstro, louco e muito diferente de todas as pessoas boas e normais que habitam qualquer mundo, seja a Áustria ou aqui. E há uma vítima, frágil e confusa, que merece e precisa de toda a nossa pena. E há o resto de nós, que enquanto emite ahs e ohs diante da tela da TV, se regozija secretamente de que ainda bem que isso só acontece com os outros, que não há monstros morando dentro de nós nem vítimas habitando nossas almas. As tragédias cumprem seu papel de nos assegurar de nossa normalidade – assim como de nossa superioridade. E também por isso fazem um sucesso midiático tremendo.
Qual é a diferença aqui? A diferença é Natascha Kampusch. Para surpresa de seus conterrâneos e do mundo inteiro que disputava sua história (às vezes inventando detalhes sórdidos por achar que os verdadeiros ainda eram poucos), Natascha recusou-se a ocupar o lugar reservado a ela no espetáculo – o de vítima eterna.
Sim, ela dizia, eu fui uma vítima, mas isso não é tudo o que eu sou. Sim, Wolfgang Priklopil é um sequestrador e um criminoso, mas não é um monstro. “A simpatia oferecida à vítima é enganadora”, escreveria ela mais tarde. “As pessoas amam a vítima apenas quando se sentem superiores a ela”.
Natascha lutou para que não fizessem dela um produto de consumo em um show freak. Obviamente, perdeu logo a simpatia do público, que em muitos casos se transformou em ódio e ameaças pela internet. Chegou a ser acusada de cumplicidade e de ganhar dinheiro com a tragédia. Como assim, aquela menina loira e de olhos azuis, que deveria agradecer comovida a todas as manifestações de bondade vindas de todos os cantos de seu país e do mundo, ousava destruir a fábula moderna da cobertura midiática?
Pois ela ousou. E é por isso que seu livro 3096 dias – A impressionante história da garota que ficou em cativeiro durante oito anos, em um dos sequestros mais longos de que se tem notícia (Verus Editora) merece ser lido. Nas 225 páginas, Natascha Kampusch apropria-se de sua história e acerta suas contas – especialmente consigo mesma. Ao escrever a versão do que só ela viveu para contar, já que o outro protagonista está morto, eliminou qualquer possibilidade de transformarem sua vida num conto de fadas que, derrotada a fera, já teria o final feliz assegurado. Natascha Kampusch escolheu a vida, com todas as suas contradições, e não um pastiche dela – isto, quem desejava era o sequestrador.
Natascha, que leu muito no cativeiro, se expressa bem. Não é apenas a ajuda que teve para escrever o livro que garante a densidade da narrativa, mas sua capacidade de refletir e analisar o vivido torna-se bem clara também nas entrevistas que dá à imprensa. Escolhi alguns trechos do livro para que nos ajudem a entender o que Natascha nos diz. E é importante o que ela nos diz para entendermos a nós mesmos – e o nosso papel nas tragédias que se sucedem no noticiário e na vida.
Natascha Kampusch começa sua narrativa escapando do mito da infância feliz. Ela não era uma alegre e saltitante Chapeuzinho Vermelho engolida por um lobo malvado quando estava a caminho da casa da avó para mais um dia perfeito. Era uma menina que tinha dúvidas sobre o amor dos pais (como a maioria de nós, aliás), que fazia xixi na cama apesar de já ter 10 anos e sentia-se desconfortável com o próprio corpo gorducho. No dia do sequestro ela tinha conquistado a liberdade de ir sozinha à escola pela primeira vez, um trajeto de cinco minutos. Estava apavorada com a nova aventura, o que pode ter sido pressentido por Priklopil, um homem que conhecia muito bem o sentimento do medo em sua própria pele e se sentia totalmente deslocado no mundo exterior.
“Hoje acredito que, ao cometer um crime terrível, Wolfgang Priklopil queria apenas criar seu próprio mundinho perfeito, com uma pessoa que estivesse ali só para ele. Provavelmente ele nunca teria podido fazer isso do jeito normal e decidira, assim, forçar e modelar alguém para isso. Em essência, ele não queria nada mais do que as outras pessoas: amor, aprovação, calor. Queria alguém para quem ele fosse a pessoa mais importante do mundo. Ele parecia não ter visto outro modo de conseguir isso senão sequestrando uma menina tímida de 10 anos e a afastando do mundo exterior, até que ela estivesse tão psicologicamente alheia que ele pudesse ‘recriá-la’. (...)
Ele precisava daquele crime insano para concretizar sua visão de um mundo perfeito e intacto. Mas, no fim, realmente queria apenas duas coisas de mim: aprovação e afeto. Como se o objetivo por trás de toda aquela crueldade fosse forçar uma pessoa a amá-lo incondicionalmente.”
As torturas se intensificaram justamente quando Priklopil percebeu que, apesar de tirar-lhe o espelho para que não tivesse nenhuma imagem de si, batizá-la com um novo nome e proibi-la de pronunciar o antigo, ele não conseguia dobrar Natascha. E a vida idílica que esperava ter com sua mulherzinha/escrava dentro de casa, longe dos olhos do mundo, era impossível. Era impossível especialmente para ele, que se tornava cada vez mais temeroso do mundo lá fora. E mais desesperado com o de dentro, onde a menina crescia e se tornava mulher, algo com que ele nunca tinha lidado muito bem.
“Se eu tivesse apenas o odiado, esse ódio teria me consumido e me tirado a força de que eu precisava para sobreviver. Como naquele momento pude captar um lampejo do ser humano pequeno, desorientado e fraco por trás da máscara do sequestrador, pude me aproximar dele. Então, olhei em seus olhos e disse:
– Eu perdoo você, porque todo mundo erra às vezes.
Foi um passo que pode parecer estranho e doentio para muitas pessoas. Afinal de contas, o ‘erro’ dele custara minha liberdade. Mas era a única coisa a fazer. Eu tinha de conseguir conviver com aquele homem, caso contrário não sobreviveria.”
Em vários momentos do livro, Natascha mostra como o perdão tornou-se um instrumento poderoso nessa relação delicadíssima, em que o sequestrador tinha literalmente a vida dela nas mãos. Perdoar a tornava potente – e não apenas passiva. Alterava o equilíbrio de forças entre os dois. Ela passou oito anos e meio recusando-se a chamá-lo de “mestre” e a ajoelhar-se diante dele, mesmo que fosse espancada por isso.
O confronto de Natascha com o mundo de fora é revelador menos da vítima e do sequestrador – mais da sociedade, de nós. Imagine a cena. Ela corre para longe do seu sequestrador, depois de mais de oito anos de cativeiro. Diz às primeiras três pessoas que encontra, uma criança e dois homens adultos: “Vocês têm de me ajudar! Preciso de um celular para chamar a polícia! Por favor!”. A resposta foi: “Não podemos. Não trouxe meu celular”. Pense bem no que você faria diante da situação, antes de acusar a monstruosidade dessa resposta.
Em seguida ela atravessa vários jardins, salta cercas e vê uma mulher na janela da casa. Ela bate na janela e diz: “Por favor, me ajude! Chame a polícia! Fui sequestrada. Chame a polícia!” A mulher reage dizendo: “O que você está fazendo no meu jardim? O que você quer?”. Ela dá seu nome completo, explica que foi seqüestrada e que ela precisa chamar a polícia. A mulher retruca: “Por que você veio justo até a minha casa?” Então hesita: “Espere na cerca viva. E não pise no gramado!”. Antes de julgar a mulher da janela – e acho que devemos julgar, sim – vale a pena nos perguntarmos o que faríamos nessa situação.
Mais tarde, os próprios policiais tratariam Natascha com desprezo por ela não ter permitido que seguissem se comportando como seus salvadores. Pelo contrário. Ficaria provado, num escândalo posterior, que seu caso foi uma combinação de desleixo com incompetência. Que havia uma pista sólida sobre o sequestrador e a localização do cativeiro e que esta pista nunca foi investigada. Os documentos que atestavam o descaso desapareceram e só mais tarde a fraude foi desmascarada.
Enquanto isso, Natascha foi atormentada por interrogatórios infindáveis com o objetivo de obrigá-la a afirmar que estava sendo chantageada por cúmplices, que fora sequestrada por uma quadrilha – enfim, que a força policial não havia sido vencida por seus próprios erros e por um homenzinho tímido e frágil que esteve o tempo todo ali, a apenas alguns quilômetros da casa da vítima.
“As autoridades começaram a me tratar diferente com o passar do tempo. Fiquei com a impressão de que, de certo modo, eles se ressentiam do fato de que eu me libertara sozinha. Nesse caso, eles não eram os salvadores, mas aqueles que haviam falhado durante anos”.
Quando Natascha se recusou a representar o papel de vítima passiva do “monstro sexual”, foi odiada e ridicularizada. Os mais bonzinhos, com seus diplomas na parede e sua condescendência profissional, trataram de carimbar o diagnóstico definitivo na sua testa. A patologia de sempre: “Síndrome de Estocolmo”. Mas deixemos que Natascha fale, porque ela se defende com muita propriedade também dos bem intencionados.
“As coisas não são totalmente pretas ou brancas. E ninguém é totalmente bom ou mau. Isso também vale para o sequestrador. Essas são palavras que as pessoas não gostam de ouvir de uma vítima de sequestro. Porque os conceitos de bem e mau já estão claramente definidos, conceitos que as pessoas querem aceitar para não perder o rumo em um mundo cheio de tons de cinza.
Quando falo sobre isso, posso ver a confusão e o repúdio no rosto de muitas pessoas que não estavam lá. A empatia que sentem pela minha história se congela e se transforma em negação. Pessoas que não têm ideia da complexidade do cativeiro me negam a capacidade de julgar minhas próprias experiências ao pronunciar três palavras: ‘Síndrome de Estocolmo’.
Síndrome de Estocolmo é um termo usado para descrever um fenômeno psicológico em que os reféns manifestam sentimentos positivos em relação aos sequestradores. Esses sentimentos fazem com que as vítimas simpatizem ou mesmo colaborem com os criminosos – isto é o que dizem os compêndios. Um diagnóstico classificatório que rejeito enfaticamente. Por mais simpático que pareça ser o uso do termo, seu efeito é terrível, pois transforma as vítimas em vítimas novamente, ao tirar delas a capacidade de interpretar a própria história e ao transformar as experiências mais significativas em produto de uma síndrome. (o grifo é meu)
O termo aproxima de algo censurável o próprio comportamento que contribui significativamente para a sobrevivência da vítima. Aproximar-se do sequestrador não é uma doença. Criar um casulo de normalidade no âmbito de um crime não é uma síndrome. É justamente o oposto. É uma estratégia de sobrevivência em uma situação sem saída – e é muito mais verdadeiro que a ampla categorização dos criminosos como bestas sanguinolentas e das vítimas como cordeiros indefesos, na qual a sociedade quer se basear”.
Dá para entender por que, passado o clamor inicial, Natascha Kampusch tornou-se uma vítima indigesta.
Chegaram a sugerir a Natascha que trocasse de nome para não ser assinalada pelo que viveu. Como se isso fosse possível. E, caso fosse possível, como se anular seu passado não anulasse com ele uma parte essencial de si mesma. “Que tipo de vida seria essa, especialmente para alguém como eu, que durante os anos de cativeiro lutara para não perder a identidade?”, questiona.
Com surpreendente maturidade, Natascha entendeu que só tem uma vida aqueles que aceitam as suas marcas como parte do vivido, mas não como tudo o que são. E assim, ela não se fixou nas marcas nem se deixou paralisar pelo lugar de vítima eterna. Natascha Kampusch seguiu com seu corpo e sua vida marcada em direção ao futuro, pronta para ser tatuada por novas experiências. Como é, afinal, a vida de todos nós.
Natascha Kampusch não era Chapeuzinho Vermelho e, se Wolfgang Priklopil era um lobo, era um bem patético. Ela não teve a chance de ouvir os contos de fadas muitas e muitas vezes na hora de dormir para ter certeza de que o horror não aconteceria com ela, como se passa nas noites das crianças sortudas. Natascha foi arrancada da infância para ser a escrava de um adulto perturbado e talvez tão assustado quanto ela. E o horror continuava lá quando acordava presa em um porão escuro.
Aos 22 anos, Natascha precisou transformar o vivido em história contada. Para ser capaz de libertar-se e seguir adiante, porém, era fundamental ser fiel à complexidade da vida e às nuances dos personagens. Queriam dela mais um remake estereotipado do que costuma ser contado e recontado em tragédias espetaculosas. Ela respondeu com uma narrativa que nos implica a todos. É por ter se negado a dar respostas fáceis ao mundo que a assistia que não a perdoam. Mas esta é a história que a Natascha adulta pode contar a si mesma tantas vezes quanto forem necessárias e acordar no dia seguinte sabendo quem é.
Seu livro é uma boa leitura para todos, possivelmente essencial para policiais, advogados, promotores e juízes, para assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas – e, sim, para jornalistas. Se eu fosse professora de alguma faculdade de jornalismo consideraria bibliografia obrigatória. O testemunho de Natascha pode nos ajudar a cometer menos atrocidades nas coberturas das tragédias que se sucedem no noticiário.
Sobre sua relação com a imprensa, Natascha escreve o seguinte:
“Eu nunca abriria mão da minha identidade. E me apresentei diante das câmeras com meu nome completo e sem disfarces, e ofereci um vislumbre do tempo do cativeiro. Mas, apesar da minha franqueza, os meios de comunicação não me deixavam em paz. Eram dezenas de manchetes, e especulações cada vez mais absurdas dominavam o noticiário. Parecia que a verdade terrível não era terrível o bastante, então eles acrescentavam coisas muito além do suportável, negando, com isso, minha autoridade como intérprete do que eu vivera. (...)
Fui percebendo que caíra em outra prisão. Centímetro a centímetro, as paredes que substituíram o cativeiro se tornaram visíveis. Eram mais sutis, construídas com o interesse público excessivo, que julgava cada movimento meu. Assim, coisas simples como pegar o metrô ou ir ao shopping em paz se tornaram impossíveis para mim. Acreditei que, ao satisfazer a curiosidade da mídia, seria capaz de retomar minha própria história. Só depois descobri que uma tentativa como essa nunca teria êxito. Nesse mundo que buscava por mim, a questão não era eu. Eu me tornara conhecida por causa de um crime terrível. O sequestrador estava morto – não havia um caso Priklopil. Eu era o caso: o caso Natascha Kampusch.”
Ela vai mais além. Vai até o fim.
“Depois da fuga, fiquei surpresa – não pelo fato de que eu, como vítima, fosse capaz de fazer essa diferenciação, mas de que a sociedade na qual entrara após meu cativeiro não permitisse a menor nuance. Como se eu não pudesse refletir de maneira alguma sobre a pessoa que fora a única em minha vida durante oito anos e meio. Não posso nem aludir ao fato de que preciso desse recurso para tentar superar o que aconteceu sem despertar incompreensão.
Ao mesmo tempo, percebi que, em certa medida, também idealizei a sociedade. Vivemos em um mundo em que as mulheres apanham e são incapazes de abandonar o homem que bate nelas, embora, em tese, a porta esteja aberta. Uma em cada quatro mulheres é vítima de violência extrema. Uma em cada duas mulheres sofre assédio sexual durante a vida. Esses crimes estão em toda parte e podem ocorrer atrás de qualquer porta do país, em qualquer dia, e talvez só provoquem um dar de ombros ou uma indignação superficial.
Nossa sociedade precisa de criminosos como Wolfgang Priklopil para dar um rosto ao mal e afastá-lo dela mesma. É preciso ver imagens desses porões para que não se vejam os muitos lares em que a violência ergue sua face burguesa e conformista. A sociedade usa as vítimas desses casos sensacionalistas, como o meu, para se despir da responsabilidade pelas muitas vítimas sem nome dos crimes praticados diariamente, vítimas que não recebem ajuda – mesmo quando pedem.
Crimes assim, como o que foi cometido contra mim, formam a estrutura austera, em branco e preto, das categorias de Bom e Mau nas quais a sociedade se baseia. O criminoso deve ser um monstro, para que possamos nos ver no lado dos bons. O crime deve ser acrescido de fantasias sadomasoquistas e orgias selvagens, até que seja tão extremo que não tenha mais nada a ver com nossa própria vida.
E a vítima deve ficar destruída e permanecer assim, para que a externalização do mal seja possível. A vítima que se recusa a assumir esse papel contradiz a visão simplista da sociedade. Ninguém quer ver isso, porque, caso contrário, as pessoas teriam de olhar para dentro de si mesmas”.
A história que Natascha Kampusch escolheu contar foge de todas as simplificações. E por isso ela pagou – e vem pagando – um preço alto. Me pergunto de onde essa garota presa e torturada por um homem solitário e instável durante mais de oito anos conseguiu forças e lucidez para continuar brigando pela integridade do que é. Não mais agora contra Wolfgang Priklopil, mas contra todos nós que queremos reduzi-la às necessidades de nosso voraz apetite por vítimas. Ao nosso desespero por uma normalidade que só existe em nossas fantasias, à categorização simplista do bem e do mal – onde todos estamos, claro, sempre no lado do bem.
Suponho que, logo após a fuga, Natascha Kampusch tenha percebido que não podia se deixar sequestrar novamente – agora não mais pelo criminoso de um só rosto, mas pela sociedade que tentava aprisioná-la em rótulos fáceis, convenientes para todos menos para ela. Assumiu o preço sempre custoso da liberdade e vem tentando ditar suas próprias regras. Algo como: “Ah, vocês esperavam ser salvos? Desculpa, mas não à custa da minha vida”.
Este livro é um manifesto de afirmação de sua identidade. Com toda a inteireza de sua experiência. À Natascha Kampusch, meu máximo respeito. Espero que ela continue nos mandando passear e siga com a sua vida.    
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)


ELIANE BRUM 
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo). 
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum